Ciência

Peter Jackson compra ovo de 600 anos que pode ajudar 'ressuscitar' ave extinta

Após seis décadas em uma coleção particular, ovo de moa será entregue ao povo indígena Ngāi Tahu, na Nova Zelândia

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 22 de outubro de 2026 às 14h42.

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O cineasta Peter Jackson, diretor da trilogia “O Senhor dos Anéis”, e a empresa de biotecnologia Colossal Biosciences compraram um ovo de moa, ave que desapareceu da Nova Zelândia há cerca de 600 anos. O exemplar será devolvido ao país e entregue ao povo indígena Ngāi Tahu.

Com 22 centímetros de altura, o ovo foi colocado à venda em uma casa de leilões no Colorado, nos Estados Unidos, após permanecer durante seis décadas em uma coleção particular. Existem menos de 40 ovos completos de moa no mundo.

O exemplar precisa de restauração. Segundo especialistas, após esse trabalho, poderá figurar entre os cinco mais bem preservados já conhecidos. A expectativa dos pesquisadores é que seu estudo forneça informações sobre a linhagem e a reprodução dessas aves.

Projeto busca recriar o moa

Ovo de moa adquirido por Peter Jackson e pela Colossal Biosciences será devolvido à Nova Zelândia. (Redes sociais/Reprodução)

Peter Jackson e sua parceira Fran Walsh já destinaram US$ 15 milhões ao projeto da Colossal para tentar recriar o moa gigante. A empresa também mantém iniciativas relacionadas a outras espécies extintas, como o lobo-terrível e o tigre-da-tasmânia.

Na pesquisa com aves, a companhia desenvolveu sistemas de incubação e ovos artificiais produzidos por impressão 3D, já utilizados no desenvolvimento de galinhas. A equipe também sequenciou material genético a partir de ossos de moa da coleção de Jackson.

O ovo adquirido poderá contribuir para essa investigação. Os cientistas pretendem recorrer a exames de imagem que não danifiquem o exemplar e avaliar outros métodos de análise. Ainda não há confirmação de que será possível recuperar material genético útil para o projeto.

De acordo com Beth Shapiro, diretora científica da Colossal, as lideranças indígenas locais orientarão todos os testes realizados com o ovo.

Aves chegavam a 3,6 metros de altura

Antes da chegada dos polinésios à Nova Zelândia, por volta de 1300 d.C., a população de moas nas ilhas pode ter alcançado 2,5 milhões de indivíduos. Incapazes de voar, algumas dessas aves atingiam até 3,6 metros de altura.

A espécie desapareceu após a chegada dos caçadores. Ossos e ovos que não eclodiram estão entre os vestígios que permitem aos pesquisadores estudar sua biologia.

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