Mexilhão-dourado: acúmulo da espécie pode reduzir a passagem de água e elevar os custos de manutenção de instalações hidráulicas (Boltovskoy/Wikimedia Commons)
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Publicado em 22 de outubro de 2026 às 10h36.
O mexilhão-dourado, uma espécie invasora originária da Ásia, está se espalhando por rios e reservatórios brasileiros, com novos registros na Amazônia e no Nordeste. O molusco pode provocar danos ambientais e comprometer o funcionamento de hidrelétricas e sistemas de abastecimento de água.
Conhecido cientificamente como Limnoperna fortunei, o animal vive em água doce e se reproduz rapidamente. A capacidade de formar colônias sobre superfícies submersas facilita a ocupação de diferentes ambientes.
Um estudo publicado em 2026 na revista Actapesca identificou a presença da espécie ao longo do rio Tocantins, além de registros no rio Pará e em áreas da ilha de Marajó.
A expansão da espécie já foi documentada em diferentes bacias hidrográficas brasileiras. Uma pesquisa publicada em 2025 na revista Acta Limnologica Brasiliensia encontrou concentrações de até 15.849 mexilhões por metro quadrado no rio Tocantins, no Pará.
O levantamento ocorreu em outubro de 2024, na região do Pedral do Lourenço, entre Marabá e Tucuruí. A presença de animais de diferentes tamanhos indica que o molusco já estava se reproduzindo no local.
No Nordeste, um outro estudo publicado em 2026 na revista Biota Neotropica identificou a espécie no reservatório Barra do Juá, na bacia do rio Pajeú, em Pernambuco.
Os primeiros exemplares foram encontrados em embarcações, em 2023. No ano passado, os pesquisadores registraram o animal em cinco pontos do reservatório, resultado compatível com o estabelecimento de uma população.
O risco para as hidrelétricas está relacionado à bioincrustação, processo em que organismos se acumulam sobre superfícies submersas.
O mexilhão-dourado consegue se fixar em tubulações, filtros e estruturas utilizadas na captação de água. Quando as colônias aumentam, podem reduzir a passagem do líquido e comprometer equipamentos.As obstruções exigem manutenção e limpeza, elevando os custos operacionais. Em determinadas situações, também podem provocar interrupções no funcionamento dos sistemas afetados.
O problema não se limita à geração de energia. Instalações de abastecimento de água, irrigação e aquicultura também podem sofrer danos. Nos ambientes naturais, a espécie compete por espaço e alimento com organismos nativos, podendo alterar as relações ecológicas e afetar a biodiversidade.
Originário da Ásia, o molusco foi registrado pela primeira vez na América do Sul em 1991, na Argentina.
A principal hipótese é que tenha chegado ao continente por meio da água de lastro de navios, utilizada para manter a estabilidade das embarcações durante as viagens. Essa água pode transportar larvas microscópicas, que são liberadas quando os reservatórios dos navios são esvaziados.
No Brasil, a espécie começou a ser identificada no final da década de 1990 e se espalhou por diferentes sistemas aquáticos. A dispersão também pode ocorrer pelas correntes dos rios e pelo transporte associado a embarcações.
A eliminação completa da espécie em rios e reservatórios já ocupados é considerada inviável com os métodos disponíveis atualmente. Por isso, as medidas de controle priorizam a prevenção da dispersão, o monitoramento das populações e a redução dos danos à infraestrutura.
Em instalações afetadas, podem ser utilizados procedimentos de limpeza, filtração e tratamento de equipamentos.
O acompanhamento de novos registros também permite identificar áreas de expansão e orientar ações para evitar que o molusco alcance outros ambientes aquáticos.