Ciência

Pesquisa na China pode triplicar capacidade de baterias de lítio

Material foi criado em parceria com a Universidade de Nankai e pode aumentar a densidade energética

Baterias de lítio similares às que são utilizadas em carros elétricos: forte aumento da demanda pode não ser acompanhado pela alta da oferta (Jason Alden/Bloomberg)

Baterias de lítio similares às que são utilizadas em carros elétricos: forte aumento da demanda pode não ser acompanhado pela alta da oferta (Jason Alden/Bloomberg)

China2Brazil
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Agência

Publicado em 19 de março de 2026 às 15h22.

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Pesquisadores da Oitava Academia do Grupo de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China anunciaram, em 19 de março, o desenvolvimento de um novo eletrólito de hidrofluorocarbono para baterias de lítio. O material foi criado em parceria com a Universidade de Nankai e pode aumentar a densidade energética, melhorar o desempenho em baixas temperaturas e ampliar a autonomia de dispositivos e veículos elétricos.

O eletrólito conecta os eletrodos positivo e negativo e permite a condução de íons dentro da bateria. Esse componente influencia diretamente a eficiência, a estabilidade e o funcionamento em diferentes temperaturas. Hoje, os eletrólitos mais usados no mercado utilizam solventes à base de oxigênio e nitrogênio.

Esses compostos dissolvem bem os sais de lítio, mas limitam a transferência de carga. Como resultado, reduzem o desempenho em ambientes frios. Em baterias convencionais, a densidade energética gira em torno de 300 Wh/kg em temperatura ambiente, mas cai para menos de 150 Wh/kg a −20 °C.

Para contornar essa limitação, a equipe desenvolveu um solvente com alcanos monofluorados. A solução reduz a viscosidade do eletrólito, aumenta a estabilidade oxidativa e melhora a condução de íons em baixas temperaturas. Com isso, a bateria mantém maior capacidade energética em condições adversas.

Segundo Li Yong, pesquisador do Instituto 811, a tecnologia permite que a densidade energética ultrapasse 700 Wh/kg em temperatura ambiente e alcance cerca de 400 Wh/kg a −50 °C. “Com a mesma massa, a capacidade pode aumentar de duas a três vezes.

A autonomia de veículos elétricos pode passar de 500–600 km para mais de 1.000 km. Além disso, as baterias podem operar em temperaturas de até −70 °C”, afirmou.

Os pesquisadores apontam aplicações em setores industriais e de consumo. Na indústria aeroespacial, a tecnologia pode ampliar a autonomia de espaçonaves, drones e robôs em ambientes frios. No uso cotidiano, pode aumentar a autonomia de veículos elétricos e a duração de baterias de smartphones em regiões de baixa temperatura.

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