Sol: Pesquisadores encontram pistas de uma migração estelar que aconteceu bilhões de anos atrás. (adventtr/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 15 de março de 2026 às 06h26.
Pode parecer estranho pensar nisso, mas o Sol talvez não tenha nascido onde está hoje. Novos estudos publicados na revista científica "Astronomy & Astrophysics" indicam que a estrela que sustenta toda a vida na Terra pode ter começado sua história muito mais perto do centro da Via Láctea e depois “escapado” para regiões mais externas da galáxia.
A hipótese surgiu após cientistas analisarem milhares de estrelas com características quase idênticas às do Sol, conhecidas como “gêmeas solares”. Elas têm temperatura, composição química e massa muito parecidas com a nossa estrela, o que permite reconstruir pistas sobre o passado do Sistema Solar.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores usaram dados do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), que mapeia o movimento e a posição de bilhões de estrelas. O levantamento reuniu cerca de 6,5 mil gêmeas solares, um catálogo muito maior do que qualquer estudo anterior.
Ao analisar a idade e a trajetória dessas estrelas, os cientistas perceberam um padrão curioso. Muitas delas se formaram há cerca de 4 a 6 bilhões de anos, praticamente a mesma idade do Sol, e parecem ter migrado do centro da galáxia para regiões mais externas ao longo do tempo.
Hoje, o Sistema Solar está a aproximadamente 26 mil anos-luz do centro da Via Láctea. Mas as evidências indicam que o Sol pode ter surgido a mais de 10 mil anos-luz perto do núcleo galáctico antes de iniciar essa longa viagem cósmica.
A explicação mais provável envolve a própria dinâmica da galáxia. No coração da Via Láctea existe uma estrutura chamada barra galáctica, uma espécie de corredor gigante de estrelas que gira e altera as órbitas estelares ao seu redor. Esse movimento pode empurrar estrelas para novas regiões da galáxia ao longo de bilhões de anos.
Se a hipótese estiver correta, o Sol não é apenas mais uma estrela comum orbitando a galáxia. Ele pode ser um viajante de longa distância que deixou o centro da Via Láctea há bilhões de anos, acompanhado por um grupo de estrelas irmãs que seguiram o mesmo caminho.
Em outras palavras: a nossa estrela talvez seja, literalmente, uma migrante cósmica. E a história do Sistema Solar pode ser bem mais itinerante do que imaginávamos.