DOT: Chip desenvolvido por startup pode mudar tratamento da depressão (Getty Images)
Freelancer
Publicado em 2 de maio de 2026 às 11h48.
Um novo implante cerebral desenvolvido para tratar depressão severa está prestes a ser testado em humanos pela primeira vez. A autorização foi concedida pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, nesta segunda-feira, 27, e marca um passo importante para a Motif Neurotech.
Fundada em 2022 e sediada em Houston, no Texas, a Motif faz parte de uma nova geração de startups focadas em tecnologias capazes de captar e interpretar sinais cerebrais. Enquanto empresas como a Neuralink, de Elon Musk, a Paradromics e a Synchron concentram seus esforços em dispositivos voltados à comunicação e ao uso de computadores por pessoas com paralisia, a Motif segue por outro caminho: desenvolver uma solução para aliviar os sintomas da depressão em pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.
O dispositivo, chamado "DOT", tem aproximadamente o tamanho de um mirtilo — 1 cm a 2 cm — e foi projetado para ser implantado no crânio, acima da membrana que protege o cérebro. Diferente de abordagens mais invasivas, ele não exige cirurgia cerebral profunda. A proposta é estimular eletricamente uma região conhecida como “Rede executiva central”, associada a funções cognitivas complexas e frequentemente menos ativa em pacientes com depressão.
Segundo a empresa, o implante foi pensado especialmente para pessoas com depressão resistente ao tratamento, quadro em que os sintomas persistem mesmo após o uso de antidepressivos e outras terapias convencionais. A expectativa é oferecer uma alternativa mais acessível e menos agressiva do que métodos como eletrochoque ou estimulação cerebral profunda, que exigem intervenções mais complexas.
O procedimento de implantação deve durar cerca de 20 minutos e será feito em ambiente ambulatorial. Depois disso, o dispositivo será ativado por uma espécie de boné tecnológico, usado pelo paciente em casa para enviar estímulos elétricos ao implante. A ideia é que o tratamento aconteça em sessões curtas ao longo do dia, com duração entre 10 e 20 minutos.
A primeira fase do estudo deve acompanhar cerca de 10 participantes ao longo de um ano. O foco inicial será avaliar a segurança do implante e monitorar possíveis sinais de melhora nos sintomas, além de impactos em ansiedade, cognição e qualidade de vida. Se os resultados forem positivos, a tecnologia poderá abrir caminho para uma nova abordagem no tratamento de doenças psiquiátricas.