(Magnific)
Redatora
Publicado em 28 de setembro de 2026 às 14h30.
A inteligência artificial passou a ajudar candidatos a revisar currículos, escrever cartas de apresentação e se preparar para entrevistas.
Mas o uso indiscriminado dessas ferramentas começa a produzir um efeito colateral no recrutamento: empresas estão gastando mais tempo para verificar se as experiências e habilidades apresentadas correspondem, de fato, à trajetória do candidato.
Uma pesquisa da Robert Half mostra que 74% dos gestores afirmam que o avanço de conteúdos produzidos com IA aumentou o tempo necessário para preencher uma vaga, prolongando processos seletivos em mais de duas semanas. Outros 33% dizem ter criado etapas adicionais de triagem para validar competências e experiências.
A IA pode melhorar a clareza de um currículo, reorganizar experiências e ajudar a adaptar uma candidatura para uma vaga específica. O problema aparece quando a tecnologia começa a embelezar demais a trajetória, acrescentando resultados, competências ou responsabilidades que o candidato não consegue sustentar depois.
Segundo a Robert Half, 66% dos gestores de contratação afirmam que a IA generativa aumentou a presença de currículos falsos ou exagerados. A consultoria também identificou sinais que despertam desconfiança durante entrevistas, como respostas mecânicas, inconsistência entre currículo e fala e dificuldade para explicar experiências descritas no próprio documento.
Esse cenário muda a dinâmica do processo seletivo. Quanto mais “perfeito” parece o currículo, maior pode ser a necessidade de comprovar o que está escrito.
A pesquisa também mostra que um terço das empresas já adicionou fases complementares de triagem para verificar informações apresentadas pelos candidatos.
Isso pode significar entrevistas adicionais, testes, perguntas mais detalhadas sobre experiências passadas ou avaliações práticas.
Para o candidato, a consequência é clara: não basta produzir um currículo capaz de passar pela primeira triagem —- é preciso sustentar cada informação quando a conversa chega à entrevista.
A Robert Half afirma que entrevistas e avaliações humanas ganharam ainda mais importância justamente porque currículos deixaram de ser suficientes para verificar a aderência real de um profissional à vaga.
O problema não termina no currículo. Ferramentas generativas também são usadas para preparar respostas de entrevista, montar discursos e antecipar perguntas.
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Isso pode ser útil, desde que a IA funcione como apoio. Em levantamento da Robert Half, 69% dos recrutadores apontaram respostas mecânicas ou padronizadas como um dos principais sinais de uso excessivo de IA; outros 65% mencionaram inconsistências entre o currículo e a fala do candidato.
A diferença está entre treinar uma resposta e decorar uma resposta.
Para candidatos em início de carreira, a tentação de deixar a IA “melhorar” experiências pode ser ainda maior. Um projeto acadêmico simples pode virar uma descrição grandiosa. Uma participação pontual pode aparecer como liderança. Um conhecimento básico pode ganhar aparência de domínio avançado.
Esse exagero pode gerar um currículo mais atraente no curto prazo, mas cria um problema quando o recrutador começa a aprofundar as perguntas. O uso mais estratégico da tecnologia é outro: organizar experiências verdadeiras, identificar pontos fortes, adaptar a linguagem e tornar resultados mais claros sem alterar os fatos.
A própria Robert Half recomenda equilíbrio: a IA pode apoiar currículos, cartas de apresentação e preparação para entrevistas, mas não substitui experiência real nem credibilidade.
A melhor regra é simples: tudo o que entrar no currículo precisa ser explicável em voz alta. Isso vale para competências, projetos, números, idiomas e resultados.
Antes de enviar uma candidatura, vale revisar perguntas como:
Essa preparação ganha importância porque o próprio mercado está valorizando candidatos capazes de combinar tecnologia com julgamento.
Pesquisa da Robert Half mostra que 75% das empresas consideram a capacidade de adaptação a novas tecnologias uma competência estratégica para a empregabilidade, enquanto pensamento crítico aparece para 44% dos respondentes.
O avanço da IA não eliminou a necessidade de preparação para processos seletivos. Em alguns casos, fez o contrário.
Currículos podem ser produzidos mais rapidamente e respostas podem ser treinadas com facilidade. Mas quanto mais acessíveis se tornam essas ferramentas, maior é a importância de demonstrar repertório real, coerência e capacidade de raciocínio próprio.
O mercado está mais competitivo, e quem entende como os processos seletivos funcionam sai na frente.
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