Uso de IAs: velocidade sem governança pode se tornar um problema real para empresas (Divulgação)
Freelancer
Publicado em 28 de abril de 2026 às 18h46.
A promessa da inteligência artificial sempre esteve ligada à eficiência. Produzir mais, mais rápido e com menos esforço virou a principal vitrine da nova corrida tecnológica. Mas um artigo publicado pela Inc. na última segunda-feira, 27, propõe um contraponto importante: acelerar sem controle pode gerar um custo muito maior do que o ganho inicial.
Em “O Custo Oculto da Velocidade: O Que a Skynet nos Ensina sobre IA”, o estrategista Vaclav Vincalek usa Skynet, sistema fictício da franquia "O Exterminador do Futuro", como metáfora para discutir os riscos da dependência excessiva de sistemas automatizados. A comparação não está no exagero apocalíptico, mas na lógica central: quando a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade humana de compreendê-la, o controle começa a falhar.
O artigo cita o “vibe coding”, prática em que ferramentas de IA geram grandes volumes de código a partir de comandos simples em linguagem natural. O processo acelera entregas e reduz barreiras técnicas, mas também aumenta a produção de código pouco compreendido, vulnerável e difícil de revisar.
O problema é: se a IA escreve mais códigos em menos tempo, ela também cria mais erros em menos tempo. Isso gera um novo gargalo: a revisão. Para resolver esse excesso, empresas começam a usar novas ferramentas de IA para revisar o código criado por outras IAs, criando um ciclo em que a tecnologia passa a corrigir os próprios riscos que ela mesma acelerou.
"A IA gera código, a IA verifica o código, identifica erros e fornece sugestões aos humanos sobre como corrigi-los. Isso me leva à seguinte pergunta: por que a construção de qualquer outra coisa que envolva o termo "engenharia" — edifícios, máquinas, pontes, aviões, etc. — está sujeita a processos rigorosos com verificações e controles, além de responsabilidade pessoal?", questiona o autor do artigo.
Vincalek chama atenção para o paradoxo dessa lógica. A indústria vende velocidade como sinônimo de progresso, mas muitas vezes o que cresce não é a eficiência, e sim a complexidade. O ganho imediato de produtividade pode esconder custos futuros com retrabalho, vulnerabilidades, falhas de segurança e dependência de sistemas que poucos profissionais realmente entendem.