Olhar brilhante: gatos tem "espelhos" atrás dos olhos que permitem enxergar melhor à noite (Montagem EXAME)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 07h51.
Para o tutor de um gato, o carinho pelo pet pode não impede alguns sustos, como um par de olhos brilhantes em meio à escuridão de casa à noite.
A explicação para esse olhar iluminado, que lembra uma placa neon, passa por uma estrutura especial dentro dos olhos dos felinos que funciona como um verdadeiro “espelho”. Ou seja, um gato não emite luz pelos olhos, ele apenas reflete a luz do ambiente.
Assim, aquele olhar luminoso que pode causar um susto no corredor escuro é, na verdade, um sofisticado mecanismo biológico de visão noturna — embutido de fábrica.
O brilho é o resultado de uma camada refletiva chamada tapetum lucidum, localizada atrás da retina, estrutura responsável por captar a luz e transformá-la em sinais para o cérebro.
Segundo a revista Popular Science, quando a luz entra no olho do gato, parte dela é absorvida pela retina. A luz que não é absorvida atinge o tapetum lucidum, que a reflete de volta através da retina, dando uma “segunda chance” para que seja captada.
O brilho que vemos é justamente essa luz refletida de volta, como uma espécie de “espelho microscópico” no fundo do olho.
Essa estrutura está presente em muitos animais noturnos, pois aumenta a quantidade de luz disponível para os fotorreceptores.
Os gatos têm sensibilidade à luz significativamente maior que a dos humanos, o que os torna altamente eficientes em ambientes de pouca luminosidade, de acordo com a Popular Science. Mais do que um detalhe curioso, o brilho noturno é uma adaptação evolutiva essencial para a caça.
Isso permite que os gatos enxerguem em condições tão escuras que, para humanos, pareceriam completamente negras. Diferentemente deles, nós não possuímos essa camada refletiva, por isso nossos olhos não brilham no escuro.
A capacidade impressionante dos olhos felinos já inspirou inovações tecnológicas.
Em 1934, o britânico Percy Shaw criou os refletores viários conhecidos como “olho de gato” após observar o brilho dos olhos de um gato à beira da estrada.
Esses dispositivos funcionam por retroreflexão, devolvendo a luz dos faróis diretamente ao motorista e aumentando a visibilidade em situações de baixa iluminação. O princípio é semelhante ao que ocorre naturalmente nos olhos dos felinos.
Além do "olho de gato" da década de 1930, os felinos já inspiraram mais criações. O professor Young Min Song, do Korea Advanced Institute of Science and Technology, desenvolveu recentemente uma câmera inspirada nos olhos de gatos.
O projeto incorporou uma camada refletiva artificial semelhante ao tapetum lucidum, aumentando a sensibilidade do equipamento em ambientes com pouca luz sem demandar mais energia.
Além disso, o pesquisador também reproduziu o formato vertical da pupila felina, que, à luz do dia, se contrai em fendas estreitas para controlar a entrada de luz e melhorar a percepção de profundidade.
Segundo ele, a abertura inspirada nas pupilas dos gatos ajudou a câmera a identificar objetos camuflados em cenários complexos, superando limitações de modelos tradicionais.