Ciência

Os cães de Chernobyl são azuis. E a ciência descobriu por que

Estudos genéticos mapeiam diferenças entre populações separadas desde 1986

Cães de Chernobyl: diferenças genéticas intrigam cientistas quase quatro décadas depois do desastre (Dimitar DILKOFF / AFP/Getty Images)

Cães de Chernobyl: diferenças genéticas intrigam cientistas quase quatro décadas depois do desastre (Dimitar DILKOFF / AFP/Getty Images)

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 07h53.

Pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State) trouxeram novas descobertas sobre os cães que habitam a Zona de Exclusão de Chernobyl. Embora esses animais apresentem diferenças genéticas em relação a populações vizinhas, o estudo publicado na revista científica PLOS One afirma que essas variações não são causadas diretamente pela radiação do acidente nuclear de 1986.

Os cães que permanecem no entorno da usina e da cidade abandonada de Pripyat descendem de animais deixados para trás durante a evacuação. Desde então, mais de 30 gerações se desenvolveram em um ambiente praticamente isolado, o que permite observar efeitos de longo prazo de um desastre ambiental raro.

O que a ciência descobriu sobre os cães de Chernobyl

Na etapa inicial da pesquisa, a equipe identificou 391 regiões genéticas distintas ao comparar os cães da Zona de Exclusão com animais que vivem a cerca de 16 quilômetros de distância, na área urbana de Chernobyl. Algumas dessas regiões estavam ligadas a vias de reparo de DNA, o que inicialmente levantou a hipótese de mutações ligadas à radiação.

Na fase seguinte, os cientistas analisaram o material genético em escalas cromossômicas e nucleotídicas para verificar se havia sinais de instabilidade ou acúmulo de mutações.

O estudo concluiu que as diferenças não correspondem a padrões de mutação radioinduzida e que não houve aumento detectável na taxa de mutações ao longo das gerações.

O que explica as diferenças genéticas?

Os autores consideram provável que a variação tenha surgido por seleção e isolamento, e não por mutação. Nas primeiras décadas após o acidente, características pré-existentes podem ter favorecido a sobrevivência de determinados cães, enquanto populações vizinhas seguiram trajetórias distintas.

O isolamento geográfico também parece ter contribuído para que o grupo da Zona de Exclusão mantivesse um perfil genético próprio ao longo do tempo, reforçando a separação entre as populações.

Com isso, a ausência de mutações induzidas por radiação não elimina a importância do monitoramento ambiental na região. Especialistas destacam que a descontaminação realizada ao longo de décadas liberou outras substâncias tóxicas, como metais pesados, chumbo em pó, pesticidas e compostos industriais.

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