Megalodon: cientistas usaram isótopos de zinco para mapear a posição do animal na cadeia alimentar (Baris-Ozer/Getty Images)
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Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 06h11.
Um novo estudo científico indica que o Megalodon, considerado o maior tubarão da história, tinha uma dieta ampla e adaptável. A pesquisa aponta que o predador pré-histórico não se alimentava apenas de baleias, como se acreditava, mas consumia diferentes presas disponíveis no ambiente marinho, ocupando o topo da cadeia alimentar.
O trabalho foi publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters e analisou dentes fossilizados do animal. A partir de técnicas geoquímicas avançadas, os cientistas reconstruíram os hábitos alimentares do tubarão extinto há milhões de anos.
Para entender a alimentação do Megalodon, os pesquisadores analisaram o esmalte fossilizado de seus dentes em busca de isótopos de zinco. Esses elementos químicos funcionam como marcadores da posição ocupada por um animal na cadeia alimentar ao longo da vida.
Os resultados indicam que o Megalodon apresentava valores muito baixos de isótopos de zinco, padrão típico de predadores de topo. Isso sugere uma dieta variada, composta por diferentes presas marinhas, como peixes, tubarões menores, golfinhos e grandes mamíferos marinhos.
O estudo avaliou mais de 200 dentes fósseis pertencentes a 21 espécies diferentes. Os fósseis foram coletados em regiões que hoje correspondem ao sul da Alemanha e são datados do início do período Mioceno, entre 20 e 16 milhões de anos atrás.
Ao comparar os dados químicos dos dentes do Megalodon com os de outros animais marinhos da mesma época, os cientistas observaram padrões semelhantes aos encontrados em predadores modernos, como as orcas.
A comparação reforça que o tubarão pré-histórico não dependia de um único tipo de presa para sobreviver.
A pesquisa também incluiu a análise de fósseis do Carcharodon hastalis, espécie extinta considerada possível ancestral do tubarão-branco moderno. Os dados indicam que esse predador ocupava um nível trófico inferior ao do Megalodon, o que sugere diferenças relevantes na dieta e no comportamento alimentar.
A comparação entre as espécies mostra que, embora ambos fossem grandes predadores marinhos, o Megalodon explorava uma faixa mais ampla da cadeia alimentar. Essa distinção ajuda a explicar sua posição dominante nos oceanos do período Mioceno.
Segundo os autores, os resultados reforçam que os ecossistemas marinhos antigos já apresentavam alta complexidade. Havia predadores de topo, cadeias alimentares diversificadas e competição por recursos, em dinâmica semelhante à observada nos oceanos atuais.