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Por que a criadora do Claude deixou o ChatGPT — e o hábito inusitado que mantinha antes da demissão

De estrategista de riscos a presidente da criadora do Claude: conheça a trajetória de Daniela Amodei e sua visão sobre a gestão de pessoas no setor de tecnologia.

Daniela Amodei: executiva fundou a Anthropic com o irmão, Dario Amodei ( Kimberly White/Getty Images for Common Sense Media/Getty Images)

Daniela Amodei: executiva fundou a Anthropic com o irmão, Dario Amodei ( Kimberly White/Getty Images for Common Sense Media/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 12h01.

Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 17h12.

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Daniela Amodei, cofundadora e presidente da Anthropic, usava personagens de pelúcia para refletir sobre conflitos de gestão, segundo reportagem da The Atlantic. Formada em literatura, trabalhou em política, Stripe e OpenAI antes de criar a empresa responsável pelo Claude. Hoje, gerencia a equipe executiva e preside o conselho de administração da companhia.

O gato recomendava cancelar reuniões. A ursa rosa preferia atenção aos detalhes. O panda representava generosidade e empatia. Esse era o conselho de pelúcia ao qual Daniela Amodei, hoje presidente da Anthropic, recorria para pensar nos conflitos do trabalho.

Segundo Kevin Roose, em reportagem da The Atlantic, ela e o marido, Holden Karnofsky, atribuíam nomes e personalidades aos animais para encenar situações de gestão, ainda na época da OpenAI. Jinji, o gato preguiçoso, incentivava menos compromissos; Maura era a gerente meticulosa; Beary Bonds, o panda, defendia uma postura compreensiva.

A prática ficava entre uma brincadeira particular e um exercício de gestão. Poucos colegas conheciam o conselho, e os que sabiam não tinham certeza de quanto Daniela seguia suas recomendações. Ela oferece uma explicação a Roose, em conversa de 2023: os personagens eram “muito úteis para analisar diferentes tipos de personalidade”.

Compreender pessoas já fazia parte de sua carreira antes de ajudar a construir máquinas capazes de conversar. Formada em literatura, Daniela passou pela política, pelo recrutamento e pela gestão de riscos.

Em dezembro de 2020, deixou a OpenAI com o irmão, Dario, e outros colegas para criar a Anthropic, empresa responsável pelo Claude, um dos concorrentes do ChatGPT.

Da literatura à tecnologia

Daniela concluiu a graduação em literatura na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, em 2009, com formação complementar em política. Começou a carreira em desenvolvimento internacional, trabalhou em organizações não governamentais em Washington e em saúde pública no leste da África, além de passar por uma campanha eleitoral e pelo Congresso americano.

Em entrevista ao podcast do Future of Life Institute, em 2022, ela conta que considerava essas causas importantes, mas sentia que não alcançava o impacto que buscava. A mudança veio com a Stripe, empresa de pagamentos que tinha cerca de 40 funcionários quando ela chegou. Ali, acompanhou a expansão da startup e percebeu como uma equipe pequena podia desenvolver uma tecnologia com efeitos sobre a economia e o cotidiano de muitas pessoas.

Seu trabalho passou do recrutamento às operações de risco. A experiência também lhe ofereceu um contraste que reapareceria na inteligência artificial: enquanto os pagamentos estavam sujeitos a regras e supervisão, os laboratórios de IA ainda precisavam definir suas próprias práticas de segurança.

Na entrevista de 2022, Daniela destaca essa diferença entre os setores.

Depois da Stripe, chegou à OpenAI, onde ocupou a vice-presidência de segurança e políticas. Sua trajetória combinava experiência com pessoas e controles operacionais — competências que levaria à criação de uma empresa própria.

Uma empresa começou no quintal

A Anthropic nasceu em 2021, fundada por Daniela, Dario e outros cinco ex-integrantes da OpenAI. As primeiras conversas aconteciam em quintais ou outros espaços ao ar livre, com máscaras e distância entre os participantes. Muitos ainda não podiam se vacinar, segundo seu relato ao Future of Life Institute.

O grupo queria uma organização dedicada à sua visão de pesquisa e segurança. Mas a proposta precisava ganhar uma estrutura: contratar equipes, captar recursos e treinar um modelo de linguagem do zero.

Em entrevista publicada pela Stripe em julho de 2023, Daniela explica que desenvolver um produto sempre foi o objetivo, embora a fase inicial estivesse concentrada em pesquisa.

A apresentação do Claude, em março de 2023, ampliou as exigências. Depois de testes com Notion, Quora e DuckDuckGo, o assistente passou a oferecer escrita, resumo de documentos e programação.

Era preciso vender, atender clientes e acompanhar a qualidade das respostas. Na entrevista, Daniela relata que a equipe havia crescido de cerca de 60 pessoas, durante o desenvolvimento da primeira versão, para aproximadamente 140.

A segurança precisava fazer sentido também para o comprador. Daniela argumenta que consumidores e empresas não querem pagar por sistemas que produzem informações falsas ou conteúdo nocivo.

“O mercado busca confiança e segurança”, afirmou à Stripe, embora reconheça possíveis conflitos entre princípios e interesses comerciais.

Entre o laboratório e o negócio

Hoje, Daniela preside a Anthropic e seu conselho de administração. Segundo a estrutura oficial da companhia, gerencia a equipe executiva e coordena atividades de pesquisa, engenharia, produto, governança e execução comercial. Dario, o CEO, conduz a direção de pesquisa e a visão estratégica.

Sua responsabilidade inclui articular quem desenvolve os modelos e quem transforma a tecnologia em serviços.

A missão declarada de segurança também permanece no debate público: Dario defende testes de segurança para modelos suficientemente capazes, uma proposta que envolve a prevenção de riscos e as condições de competição entre os laboratórios.

Ao descrever sua rotina à Stripe em 2023, Daniela conta que tenta reservar duas horas no início do expediente para projetos maiores e reflexão, antes das reuniões, do recrutamento e das decisões estratégicas. Também procura conhecer os novos funcionários e entender sua experiência na empresa — tarefa que, segundo ela, fica mais difícil conforme a organização cresce.

A formação em literatura continua presente na maneira como explica seu trabalho.

Em conversa publicada por Stanford em junho de 2026, Daniela se define como generalista e afirmou que escolheria o mesmo curso novamente. Curiosidade e aprendizado entre disciplinas, em sua avaliação, são qualidades importantes para sua atuação.

“Acho que estudar humanidades será mais importante do que nunca”, afirmou em entrevista à ABC News, citada pela Universidade da Califórnia em Santa Cruz, em tradução.

Do conselho de pelúcia à presidência de um laboratório, compreender diferentes personalidades continua fazendo parte do trabalho da executiva que ajuda a ensinar máquinas a conversar.


Perguntas frequentes

Quem é Daniela Amodei?

Daniela Amodei é cofundadora e presidente da Anthropic, empresa responsável pelo Claude. Também preside o conselho de administração e gerencia a equipe executiva.

Qual é a formação de Daniela Amodei?

Ela se formou em literatura na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, em 2009, com formação complementar em política. Antes da Anthropic, trabalhou em desenvolvimento internacional, política, Stripe e OpenAI.

Por que Daniela usava bichos de pelúcia como conselheiros?

Segundo reportagem da The Atlantic, Daniela e o marido atribuíam personalidades aos animais para simular situações de gestão. Ela afirma que o exercício ajudava a analisar diferentes tipos de personalidade.

Quando ela fundou a Anthropic?

A Anthropic foi fundada em 2021 por Daniela Amodei, Dario Amodei e outros cinco ex-integrantes da OpenAI. Daniela havia deixado a OpenAI em dezembro de 2020.

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