Nasa revela detalhes sobre primeiras imagens do telescópio James Webb

As capacidades infravermelhas do James Webb lhe permitem ver o passado até o Big Bang, que ocorreu há 13 bilhões de anos
Imagem da nebulosa Carina feita pelo telescópio espacial Hubble (NASA, ESA, N. Smith e Hubble Heritage Team/Reprodução)
Imagem da nebulosa Carina feita pelo telescópio espacial Hubble (NASA, ESA, N. Smith e Hubble Heritage Team/Reprodução)
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AFPPublicado em 09/07/2022 às 08:36.

Até agora, o Universo se manteve, em grande parte, um mistério. Mas os primeiros resultados das operações do telescópio James Webb prometem revelar novos detalhes.

A Nasa divulgou nesta sexta-feira (8) os cinco primeiros alvos do Webb e garante ter captado imagens sem precedentes de galáxias remotas, nebulosas brilhantes e um distante planeta gasoso gigante.

O primeiro alvo observado é a nebulosa Carina, localizada a cerca de 7.600 anos-luz. O telescópio espacial Hubble já havia a fotografado e mostrado enormes colunas de poeira e gás, uma delas a famosa Montanha Mística.

Porém, as imagens do James Webb, cujo espelho principal usado para captar a luz é muito maior, prometem oferecer uma nova perspectiva de Carina.

A Nebulosa do Anel do Sul é outro de seus alvos. Trata-se de uma imensa nuvem de gás que cerca uma estrela moribunda e está a cerca de 2.000 anos-luz da Terra. Um ano-luz equivale a aproximadamente 9,46 trilhões de quilômetros.

O terceiro alvo observado é o Quinteto de Stephan, o primeiro grupo compacto de galáxias descoberto, em 1787, que se encontra na constelação de Pegasus.

Mas provavelmente o mais atraente na atuação do Webb é a utilização de um aglomerado de galáxias, o SMACS 0723, como uma espécie de lupa cósmica para enxergar outras galáxias atrás, extremamente remotas.

A prática, conhecida como “lente gravitacional”, usa a massa das galáxias em primeiro plano para desviar a luz dos objetos que estão atrás delas, como se fosse um par de óculos.

Além das imagens, na próxima terça-feira também será publicada a primeira espectroscopia feita pelo Webb, um mecanismo que serve para determinar a composição química de um objeto distante.

Essa técnica foi aplicada ao WASP-96 b, um planeta gigante composto principalmente por gás. Ele foi descoberto em 2014 e está localizado fora do nosso sistema solar, a 1.150 anos-luz. Sua massa equivale a cerca de metade da de Júpiter e gira em torno de sua estrela em apenas 3,4 dias.

O telescópio espacial acaba de entrar em pleno funcionamento, após o foguete Ariane 5 lançá-lo ao espaço no último Natal. O Webb chegou a seu posto de observação após uma longa viagem de 1,5 milhão de quilômetros.

Dan Coe, um astrônomo do STSI, o centro de operações do telescópio, disse à AFP nesta sexta-feira que já em suas primeiras imagens, o Webb fez descobertas científicas revolucionárias.

“Quando vi as imagens pela primeira vez (...) de repente aprendi três coisas sobre o universo que não sabia antes”, contou ele.

As capacidades infravermelhas do James Webb lhe permitem ver o passado até o Big Bang, que ocorreu há 13 bilhões de anos.

Devido à expansão do Universo, a luz das primeiras estrelas varia da ultravioleta e os comprimentos de ondas visíveis em que foi emitida ao infravermelho, que o Webb consegue detectar com uma resolução inédita.