Ciência

Nasa faz últimos testes no foguete que levará humanos de volta à Lua

O teste inclui a verificação de vazamentos, checagens técnicas e a simulação completa de uma contagem regressiva

Testes do foguete: objetivo é testar a capacidade do veículo carregar mais de 700 mil galões de propelente criogênico (EVA MARIE UZCATEGUI/AFP/Getty Images)

Testes do foguete: objetivo é testar a capacidade do veículo carregar mais de 700 mil galões de propelente criogênico (EVA MARIE UZCATEGUI/AFP/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 16h42.

A Nasa realizou nesta segunda-feira, 2, os testes finais do foguete que será usado na missão Artemis 2, primeiro voo tripulado à Lua em mais de meio século. O ensaio é a etapa mais complexa antes da definição oficial da data de lançamento.

Por volta das 11h25 na Flórida (13h25 em Brasília), o diretor de lançamento autorizou o início do abastecimento do foguete SLS, no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, segundo informações divulgadas pela agência.

O teste inclui a verificação de vazamentos, checagens técnicas e a simulação completa de uma contagem regressiva, além da retirada segura do combustível. O objetivo é validar a capacidade do foguete de 98 metros de carregar mais de 700 mil galões de propelente criogênico.

Inicialmente programado para o fim de semana, o ensaio foi adiado devido à previsão de temperaturas abaixo de zero no local de lançamento, em meio a uma onda de frio extremo que atinge parte dos Estados Unidos.

O ensaio de lançamento estava previsto para começar às 21h no horário local (23h em Brasília), com possibilidade de atraso até a 1h da madrugada de terça-feira (3h na capital federal).

Se todas as etapas forem concluídas com sucesso, a Nasa poderá lançar a missão Artemis 2 em 8 de fevereiro, na data mais próxima considerada pela agência.

A tripulação permanece em quarentena em Houston, no Texas, enquanto a agência conclui os preparativos finais para o voo.

Como será a missão na Lua

A viagem terá duração aproximada de 10 dias e não inclui pouso na superfície lunar. O plano prevê uma trajetória de retorno livre, na qual a gravidade da Terra e da Lua conduz a espaçonave de volta sem necessidade de grandes manobras de propulsão.

Durante o voo, a tripulação testará sistemas críticos da Orion em ambiente de espaço profundo, incluindo suporte de vida, comunicações, navegação e controle manual. A missão é considerada essencial antes de uma tentativa de pouso lunar.

Os tripulantes são Reid Wiseman, comandante; Victor Glover, piloto; Christina Hammock Koch, especialista de missão; e o canadense Jeremy Hansen, também especialista. A missão também é um marco para a diversidade e a representatividade, com o objetivo de levar a primeira mulher, o primeiro homem negro e o primeiro não americano à Lua. 

Programa Artemis e próximos passos

O programa Artemis é liderado pela Nasa e prevê uma série de missões progressivas ao redor e na superfície da Lua. O objetivo é estabelecer, a longo prazo, uma presença humana permanente em solo lunar e permitir que a Lua funcione como um "trampolim" para futuras missões tripuladas à Marte. 

A Artemis III, prevista para (no mínimo) 2027, deve marcar o retorno de astronautas à superfície da Lua, com pouso na região do polo sul lunar. Já as missões seguintes incluem a construção da estação espacial Gateway, que deverá orbitar o satélite e servir como base para expedições de longa duração.

A cápsula Orion foi projetada para suportar o ambiente do espaço profundo e conta com um módulo de serviço desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, responsável por propulsão, energia, controle térmico e fornecimento de oxigênio e água à tripulação.

O nome Ártemis foi escolhido porque, na mitologia grega, a figura é irmã gêmea de Apolo, e deusa da Lua, da castidade, da caça, do parto e dos animais selvagens.

Por que a missão foi adiada?

Os atrasos da Artemis II estão ligados a revisões de segurança após a Artemis I. Análises identificaram desgaste inesperado no escudo térmico da cápsula durante a reentrada em 2022, levando a mais de 100 testes adicionais e à alteração do perfil de reentrada para reduzir riscos.

Além disso, sistemas de suporte à vida passaram por avaliações extras, e o ensaio final do lançamento, conhecido como Wet Dress Rehearsal, ainda precisa ser concluído. Condições climáticas adversas na Flórida também influenciaram o cronograma.

Segundo a Nasa, a prioridade é a segurança da tripulação. Se bem-sucedida, a Artemis II será um marco da nova fase da exploração espacial humana e um passo decisivo rumo ao retorno à Lua e a futuras missões a Marte.

*Com informações da AFP

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