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Poluição do carvão reduz geração global de energia solar, aponta estudo

Aerossóis liberados por termelétricas e outras fontes bloquearam parte da luz solar e reduziram a produção fotovoltaica em 5,8% em 2023

Apesar disso, o carvão segue como parte relevante da matriz elétrica em várias economias em crescimento

Apesar disso, o carvão segue como parte relevante da matriz elétrica em várias economias em crescimento

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 17 de maio de 2026 às 10h02.

A poluição gerada pela queima de carvão está prejudicando a produção mundial de energia solar e pode estar levando governos e empresas a superestimar os benefícios climáticos da expansão da fonte renovável.

Um estudo publicado na revista Nature Sustainability por pesquisadores da Universidade de Oxford e da University College London mostrou que aerossóis — pequenas partículas liberadas pela queima de combustíveis fósseis e também por fontes naturais, como vulcões — reduziram a geração global de energia solar em 5,8% em 2023.

A perda equivale a cerca de 111 terawatts-hora de eletricidade, volume comparável à geração anual de 18 usinas termelétricas a carvão de médio porte.

O impacto é maior quando parques solares estão localizados próximos a usinas a carvão. Na China, maior produtora mundial tanto de energia solar quanto de carvão, os aerossóis reduziram a produção fotovoltaica em 7,7% em 2023. Segundo os pesquisadores, quase um terço dessa queda pode ser atribuído diretamente às termelétricas a carvão.

A poluição também afetou a geração solar em grandes mercados como Índia, Estados Unidos e Japão.

No Paquistão, onde a adoção da energia solar avançou rapidamente nos últimos anos, o efeito foi ainda mais intenso. O estudo estima que os aerossóis reduziram a produção solar do país em 15,1% em 2023. Essas partículas também podem vir de emissões de veículos e de atividades industriais, como fornos de tijolos.

Quais os riscos?

Para os autores do levantamento, os resultados mostram que a expansão da energia solar não pode ser analisada isoladamente da poluição causada por combustíveis fósseis.

Segundo Rui Song, pesquisador de pós-doutorado em Oxford e principal autor do estudo, projeções sobre transição energética costumam estimar a geração solar e associar esse volume diretamente a benefícios climáticos. O problema é que, se a poluição do carvão reduz a produção efetiva dos painéis, esses benefícios podem estar sendo superestimados.

A pesquisa também aponta uma contradição logística. Muitos desenvolvedores instalam fazendas solares perto de usinas a carvão porque essas áreas já contam com conexão à rede elétrica e linhas de transmissão de alta capacidade. Essa proximidade, no entanto, pode reduzir o desempenho dos painéis justamente por causa da poluição local.

Renováveis avançam, mas carvão ainda pesa

O estudo foi divulgado em um momento de avanço histórico das fontes renováveis. Energia solar, eólica e outras fontes limpas representaram 34% da geração global de eletricidade no ano passado, superando a participação do carvão, de 33%, pela primeira vez desde 1919, segundo dados do think tank Ember citados no levantamento.

Apesar disso, o carvão segue como parte relevante da matriz elétrica em várias economias em crescimento, especialmente na China, na Índia e no Sudeste Asiático.

Ao mesmo tempo, a energia solar vem ganhando espaço como uma fonte limpa, barata e produzida localmente, capaz de reduzir a exposição dos países à volatilidade dos preços de combustíveis fósseis.

No Paquistão, por exemplo, a rápida expansão da geração solar deve gerar economia de pelo menos US$ 6,3 bilhões neste ano ao reduzir a necessidade de importação de petróleo e gás, segundo análise da Renewables First e do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo citada no material.

O novo estudo, porém, reforça que a descarbonização da geração elétrica depende não apenas da instalação de mais painéis solares, mas também da redução da poluição que limita seu desempenho.

Acompanhe tudo sobre:Energia solarCarvãoPoluição

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