daraxonrasib: Resultados apresentados no principal congresso mundial de oncologia foram recebidos com aplausos de pé por especialistas (Freepik)
Freelancer
Publicado em 15 de junho de 2026 às 09h43.
Um estudo apresentado durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, e publicado no New England Journal of Medicine, revelou um dos resultados mais promissores já registrados no tratamento do câncer de pâncreas metastático. O medicamento experimental daraxonrasib quase dobrou a sobrevida de pacientes com a doença avançada, considerada uma das formas mais agressivas e letais de câncer.
A pesquisa envolveu cerca de 500 pacientes cujo câncer já havia deixado de responder aos tratamentos convencionais. Os participantes foram divididos entre aqueles que receberam o novo medicamento e os que continuaram com quimioterapia padrão. Os resultados surpreenderam a comunidade científica: a sobrevida mediana passou de 6,7 meses para 13,2 meses entre os pacientes tratados com daraxonrasib.
O daraxonrasib atua sobre mutações da família de genes RAS, especialmente o KRAS, presente em mais de 90% dos casos de câncer pancreático. Durante décadas, cientistas consideraram essa alteração genética praticamente impossível de ser combatida por medicamentos devido à dificuldade de bloquear a proteína produzida pela mutação.
Segundo os pesquisadores, o novo tratamento funciona como uma espécie de “cola molecular”, capaz de se ligar a diferentes variantes da proteína KRAS e impedir que ela continue estimulando o crescimento dos tumores.
A repercussão dos dados foi imediata entre os oncologistas presentes no congresso da ASCO. “Depois de mais de uma década sem grandes avanços no tratamento do câncer de pâncreas, ver isso é realmente emocionante”, afirmou a oncologista Ecaterina Dumbrava, do Centro de Câncer MD Anderson, da Universidade do Texas à Nature.
O oncologista Dr. Zev Wainberg, da UCLA Health e um dos líderes do estudo, destacou que o medicamento representa um avanço significativo, mesmo sem representar uma cura definitiva. “Embora não cure o câncer, é um passo muito grande à frente”, declarou à CBS News.
Além de aumentar a sobrevida, o medicamento apresentou uma taxa menor de efeitos colaterais graves em comparação à quimioterapia tradicional.
Os pacientes relataram menos dor, maior controle da doença e melhora da qualidade de vida. Muitos continuavam recebendo o tratamento mesmo após o encerramento da análise dos dados, o que sugere que a diferença de sobrevivência pode aumentar conforme o acompanhamento avance.
Ainda assim, os pesquisadores alertam que o medicamento pode provocar reações importantes, como lesões de pele e feridas na boca, exigindo monitoramento médico constante.
Diante dos resultados, a agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, decidiu acelerar a análise do medicamento e já autorizou um programa especial para permitir o acesso de alguns pacientes antes da aprovação definitiva.
O câncer de pâncreas continua sendo um dos tumores mais difíceis de tratar. Nos Estados Unidos, a taxa de sobrevida em cinco anos é de aproximadamente 13%, e a maioria dos casos só é descoberta quando a doença já se espalhou para outros órgãos.