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Inseto mais pesado do mundo pode pesar como um rato — espécie se recupera da extinção

Programa de conservação criou e libertou 11 mil exemplares em áreas protegidas da Nova Zelândia nos últimos 15 anos

Wētāpunga: inseto gigante da Nova Zelândia pode pesar tanto quanto um rato (Reprodução/ New Zealand Journal of Zoology/ C. Green)

Wētāpunga: inseto gigante da Nova Zelândia pode pesar tanto quanto um rato (Reprodução/ New Zealand Journal of Zoology/ C. Green)

Publicado em 26 de outubro de 2026 às 15h49.

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Considerado o inseto mais pesado do mundo, o wētāpunga está se recuperando após décadas de declínio na Nova Zelândia. Um programa de conservação criou dezenas de milhares de exemplares em cativeiro durante 15 anos. Cerca de 11 mil animais foram soltos em 10 novos locais na natureza.

O estudo foi liderado por Chris Green, pesquisador honorário do Departamento de Conservação da Nova Zelândia (DOC). Os resultados foram publicados no New Zealand Journal of Zoology.

O trabalho envolveu 45 translocações para áreas protegidas, incluindo ilhas sem predadores e reservas cercadas. A recuperação levou à mudança do status de conservação da espécie. A classificação passou de "nacionalmente em perigo", em 2004, para "nacionalmente em crescimento", em 2022.

Quanto pesa o inseto mais pesado do mundo?

O wētāpunga (Deinacrida heteracantha) é a maior espécie entre os wētā gigantes da Nova Zelândia. O DOC classifica o animal como o ortóptero mais pesado do mundo, grupo que também reúne grilos e gafanhotos.

Uma fêmea adulta pode pesar aproximadamente o mesmo que um rato. O corpo pode chegar a quase 10 centímetros, enquanto a extensão das pernas alcança cerca de 20 centímetros.

A espécie é endêmica da Nova Zelândia e já esteve distribuída por partes da Ilha Norte.

Predadores levaram população ao declínio

A expansão da agricultura destruiu parte do habitat natural do wētāpunga. A introdução de animais como ratos e doninhas agravou a situação. Os novos predadores provocaram o desaparecimento das populações em diferentes regiões.

Na década de 1990, um plano de recuperação do governo neozelandês classificou o wētāpunga entre as espécies mais ameaçadas do país. A única população natural restante sobreviveu em Te Hauturu-o-Toi/Little Barrier Island, no Golfo de Hauraki.

Levantamentos realizados entre 2005 e 2009 mostraram uma população pequena demais para estabelecer novos grupos apenas com transferências diretas entre áreas selvagens.

Reprodução começou com poucos animais

Diante do baixo número de indivíduos, pesquisadores recorreram à reprodução fora do ambiente natural. Um pequeno grupo foi retirado de Little Barrier Island para iniciar uma colônia no Butterfly Creek, centro de conservação em Auckland.

Após o desenvolvimento das técnicas de criação, os primeiros animais foram liberados nas ilhas Motuora e Tiritiri Matangi, em 2010 e 2011.

O Auckland Zoo estabeleceu uma segunda colônia em 2012. A ampliação permitiu aumentar significativamente a quantidade de animais criados. Entre 2014 e 2025, somente o zoológico criou e liberou 8.874 wētāpunga. Somando o trabalho do Auckland Zoo e do Butterfly Creek, mais de 11 mil exemplares chegaram à natureza até 2025.

Novas populações avançam na natureza

As solturas ocorreram em oito ilhas livres de predadores no Golfo de Hauraki e na Baía das Ilhas. Duas reservas cercadas no continente também receberam exemplares criados pelo programa.

O monitoramento encontrou pelo menos quatro gerações nascidas na natureza nas ilhas Motuora e Tiritiri Matangi.

O resultado confirma o estabelecimento de populações nesses dois locais, segundo critérios utilizados internacionalmente. Outras populações criadas pelo programa também avançam em direção ao mesmo marco, de acordo com o Departamento de Conservação.

Técnica pode ajudar outras espécies

Os responsáveis pelo projeto esperam aplicar o conhecimento adquirido na conservação de outros invertebrados ameaçados.

O programa permitiu desenvolver técnicas de reprodução, manejo, soltura e acompanhamento das novas populações. Parte desse conhecimento já auxilia a reprodução de outra espécie de wētā gigante, o Māhoenui.

O DOC também cita o gorgulho-nodoso-de-Canterbury e espécies nativas de besouros-veado entre os animais que podem se beneficiar de estratégias semelhantes.

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