Ozempic: americano processa fabricante após ser diagnosticado com doença que compromete o nervo óptico (Roberto Pfeil/picture alliance/Getty Images)
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Publicado em 18 de outubro de 2026 às 16h48.
Um homem de 63 anos entrou com uma ação judicial contra a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, após afirmar que perdeu a visão dos dois olhos durante o tratamento com o medicamento. O americano Todd Engel, morador de Maryland, nos Estados Unidos, atribui o problema ao uso do remédio, indicado para pessoas com diabetes tipo 2.
Segundo relato feito à emissora americana Fox News, Engel começou a utilizar o Ozempic em 2023 e percebeu uma perda súbita de visão no olho direito cerca de quatro meses depois, na véspera do Ano-Novo de 2024.
Após exames, recebeu o diagnóstico de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA), uma condição que compromete o nervo óptico e pode causar perda permanente da visão.
Aproximadamente dez meses depois, o americano relatou um episódio semelhante no olho esquerdo. Ele interrompeu o tratamento após a segunda ocorrência.
De acordo com Engel, a perda de visão começou de forma repentina no olho direito, quando ele se preparava para trabalhar. Posteriormente, o problema atingiu também o olho esquerdo.
O americano trabalhava havia cerca de 40 anos como operador de máquinas pesadas e motorista de caminhão. Após perder a visão, deixou de exercer suas atividades profissionais e passou a depender de ajuda para realizar tarefas cotidianas.
Ele afirma que os médicos não identificaram tratamentos medicamentosos ou cirúrgicos capazes de recuperar sua visão. Na ação judicial, Engel alega que a Novo Nordisk não informou adequadamente pacientes e profissionais de saúde sobre os possíveis riscos oculares associados ao medicamento.
A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA) é uma doença caracterizada pela redução do fluxo sanguíneo para uma região do nervo óptico, responsável por transmitir informações visuais dos olhos ao cérebro.
A condição pode provocar perda súbita da visão e, em alguns casos, danos permanentes.
Conhecida informalmente como um tipo de “derrame ocular”, a NOIA-NA é a doença mencionada nas ações judiciais de pacientes que relatam problemas de visão após utilizar medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Entre esses medicamentos estão o Ozempic e o Wegovy, ambos produzidos pela Novo Nordisk e formulados com semaglutida.
A possível associação entre o uso de semaglutida e a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica tem sido investigada em pesquisas científicas.
No entanto, a ocorrência da doença durante o tratamento não significa, por si só, que o medicamento tenha sido responsável pelo problema.
A Novo Nordisk contesta a existência de uma relação causal comprovada entre a semaglutida e a NOIA-NA.
Em manifestação à Fox News, a farmacêutica afirmou que uma análise de ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo identificou poucos casos confirmados da condição, sem observar aumento da incidência entre os participantes tratados com semaglutida.
A empresa também informou que continua acompanhando possíveis ocorrências da doença por meio de seus procedimentos de farmacovigilância e considera improcedentes as ações judiciais movidas nos Estados Unidos.
O processo apresentado por Todd Engel integra um conjunto de centenas de ações judiciais nos Estados Unidos contra fabricantes de medicamentos utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade.
Os autores alegam ter desenvolvido problemas graves de visão associados à NOIA-NA após utilizar medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como Ozempic e Wegovy.
As ações questionam se os fabricantes forneceram informações suficientes a pacientes e profissionais de saúde sobre os possíveis riscos oculares. No caso de Engel, a relação entre o uso do Ozempic e a perda de visão permanece uma alegação apresentada no processo judicial, sem comprovação de causalidade.