Repórter
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 16h32.
A associação da semaglutida às chamadas canetas emagrecedoras representa apenas parte das pesquisas sobre a substância. Estudos com a molécula avaliaram efeitos sobre o risco cardiovascular, a função renal, a inflamação no fígado e os sintomas da osteoartrite do joelho em grupos de pacientes.
Segundo informações divulgadas pela Brace Pharma (do Grupo EMS), uma diretriz publicada em março de 2026 pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) passou a recomendar a substância em diferentes contextos clínicos. A relação inclui obesidade, redução de risco cardiovascular, insuficiência cardíaca, doença associada ao acúmulo de gordura no fígado, osteoartrite do joelho e proteção renal.
Ozempic, Mounjaro, Wegovy e mais: conheça 11 canetas emagrecedoras e veja qual é mais eficazEm um dos estudos reunidos pela farmacêutica, a semaglutida foi associada à redução de 20% no risco combinado de morte cardiovascular, infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Os resultados apresentados correspondem às populações e às condições avaliadas em cada pesquisa.
Entre pessoas com insuficiência cardíaca, uma das pesquisas identificou melhora dos sintomas, das limitações físicas e do desempenho em um teste de caminhada.
Outro estudo acompanhou adultos com obesidade e osteoartrite do joelho que apresentavam dor moderada a intensa. Nesse grupo, a redução da dor foi de 41,7 pontos em uma escala de zero a 100, conforme os dados apresentados pela empresa.
Na pesquisa com participantes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, houve redução de 24% no risco de um conjunto de desfechos que incluía falência renal e morte por causas renais ou cardiovasculares.
Já no estudo sobre a condição hepática, 62,9% dos pacientes apresentaram resolução da inflamação sem agravamento da fibrose, processo de formação de tecido cicatricial no órgão.
Para Marcelo Neri, diretor executivo responsável pelas empresas de prescrição do Grupo EMS — Brace, Ofta e USK —, a discussão sobre a semaglutida deve contemplar os resultados das pesquisas, os limites do tratamento e o acesso ao medicamento.
“É importante explicar com clareza o que esses medicamentos podem oferecer e quais são seus limites”, afirma.
O executivo cita o programa SUSTAIN, que reuniu milhares de participantes em estudos de fase 3, como parte das evidências sobre a molécula. “O avanço da ciência mostra que a discussão sobre essa molécula vai muito além da perda de peso e nós estamos acompanhando de perto essa evolução”, diz.