Ciência

Hipopótamos de Pablo Escobar saem do controle e viram problema na Colômbia

Plano prevê sacrificar até 80 animais após falha em envio ao exterior e aumento de riscos ambientais e à população

Hipopótamos: animais vivem no vale do rio Magdalena e são considerados espécie invasora pelas autoridades colombianas (Paul Maritz via Wikimedia Commons)

Hipopótamos: animais vivem no vale do rio Magdalena e são considerados espécie invasora pelas autoridades colombianas (Paul Maritz via Wikimedia Commons)

Publicado em 15 de abril de 2026 às 06h03.

O governo da Colômbia decidiu adotar medidas mais rígidas para conter o avanço dos hipopótamos descendentes de animais levados ao país pelo narcotraficante Pablo Escobar. Entre as ações previstas está a eutanásia de até 80 bichos - uma forma de controlar a expansão da espécie.

De acordo com a agência EFE, a iniciativa deve começar no segundo semestre de 2026 e faz parte de um plano mais amplo para reduzir a população desses animais, considerada fora de controle.

Crescimento da população pressiona autoridades

O problema teve origem há mais de três décadas, quando quatro hipopótamos foram introduzidos em um zoológico privado. Sem predadores naturais e com alta capacidade de reprodução, o grupo cresceu de forma contínua ao longo dos anos.

Atualmente, a população se aproxima de 200 indivíduos, concentrados principalmente na região do rio Magdalena. A presença dos animais tem avançado para áreas rurais e ribeirinhas, afetando o ambiente natural e a rotina das comunidades locais.

Segundo a agência espanhola, o plano prevê a retirada de parte dos hipopótamos de áreas com maior concentração. O procedimento envolve captura, sedação e aplicação de métodos autorizados para a eutanásia.

A operação deve ocorrer em regiões como a antiga Hacienda Nápoles e áreas próximas ao rio Magdalena, onde há maior incidência da espécie.

Para viabilizar a estratégia, o governo colombiano destinou cerca de 7,2 bilhões de pesos (quase US$ 2 milhões).

Tentativas anteriores não avançaram

Antes de optar por medidas mais duras, as autoridades avaliaram alternativas como a transferência dos animais para outros países e programas de esterilização.

No entanto, essas opções não se concretizaram. Segundo a EFE, países consultados não autorizaram a entrada dos hipopótamos, o que inviabilizou a realocação internacional.

Outro fator que dificultou o processo foi a limitação genética da população, resultado da reprodução a partir de um número reduzido de indivíduos.

Impacto ambiental e riscos à população

Desde 2022, os hipopótamos são classificados como espécie exótica invasora na Colômbia. A presença desses animais tem sido associada a alterações nos ecossistemas e à disputa por recursos com espécies nativas.

Além disso, o porte elevado e o comportamento territorial aumentam o risco de acidentes, sobretudo em áreas frequentadas por agricultores e pescadores.

A proposta de abate tem sido alvo de críticas por parte de organizações de defesa dos animais, que defendem alternativas menos invasivas, como esterilização e confinamento.

Por outro lado, o governo argumenta que a intervenção é necessária para conter o avanço da população e reduzir os impactos ambientais.

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