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Grupo investiga variáveis genéticas relacionadas à obesidade

Grupo busca identificar as ligações genéticas que levam à facilidade em perder ou ganhar peso

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Pesquisa sobre obesidade: estudos do grupo, até o momento, têm como foco principal a família das proteínas desacopladoras (Foto/Thinkstock)

Pesquisa sobre obesidade: estudos do grupo, até o momento, têm como foco principal a família das proteínas desacopladoras (Foto/Thinkstock)

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Karina Toledo, da Agência Fapesp

Publicado em 3 de janeiro de 2017 às, 09h55.

Por que algumas pessoas conseguem emagrecer com facilidade e outras não? Por que a maioria delas recupera o peso perdido, mas não todas? Por que pacientes obesos submetidos à mesma dieta ou intervenção cirúrgica apresentam respostas diferentes ao tratamento?

Para tentar responder a perguntas como essas, a equipe do Laboratório de Estudos em Nutrigenômica (LEN) – vinculado à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) – tem estudado, com apoio da FAPESP, variáveis genéticas envolvidas nos processos de perda de peso, gasto energético e alteração na composição corporal em pacientes obesos submetidos à cirurgia bariátrica ou a dietas.

“São diversos os fatores envolvidos na etiologia da obesidade e a genética é certamente um deles. Estamos ainda descobrindo as peças de um quebra-cabeças complexo, ou seja, estudando genes relacionados com a obesidade. No futuro, acredito que poderemos usar esse conhecimento de uma maneira integrada tanto para desenvolver tratamentos mais personalizados como novos medicamentos”, disse a professora Carla Barbosa Nonino, coordenadora do LEN.

Os estudos do grupo, até o momento, têm como foco principal a família das proteínas desacopladoras (UCPs) – moléculas encontradas na membrana interna das mitocôndrias que participam na regulação do gasto energético, termogênese, metabolismo dos ácidos graxos livres e diminuição das espécies reativas de oxigênios.

“Já se sabe que a UCP1 é expressa principalmente no tecido adiposo marrom, enquanto a UCP2 e a UCP3 são expressas em vários tecidos, incluindo o adiposo branco e a musculatura esquelética”, contou Nonino.

Em um estudo publicado recentemente na revista Nutrition, o grupo estudou dois polimorfismos no gene codificador da UCP2 – conhecidos como Ala55Val e -866G>A – e mostrou que eles podem servir como biomarcadores de perda de peso após a cirurgia bariátrica.

A investigação foi conduzida durante o doutorado de Carolina Nicoletti Ferreira, bolsista da FAPESP. Foram acompanhadas 150 mulheres com obesidade grau 3 (índice de massa corporal igual ou maior do que 40) submetidas a um procedimento conhecido como derivação gástrica em Y de Roux, no qual parte do estômago e parte do intestino são removidas.

“Os resultados indicam que os indivíduos com o alelo mutado para ambos os polimorfismos apresentam maior perda de peso cerca de um ano após o procedimento cirúrgico, mesmo depois de ajustado pela ingestão alimentar e prática de atividade física”, contou Nonino.

Já em um trabalho publicado na revista Clinical Obesity, o grupo mostrou que esses dois polimorfismos do gene UCP2 influenciam o consumo alimentar de pacientes que realizaram a cirurgia bariátrica. “Aqueles indivíduos com pelo menos um alelo mutado apresentaram tendência a maior consumo de carboidratos, na avaliação feita um ano após a cirurgia”, contou Nonino.

Em artigo publicado na revista PLoS One, o grupo mostrou que, em 13 pacientes submetidos à intervenção cirúrgica, a expressão dos genes UCP1 e UCP3 contribuem para a oxidação de lipídio e carboidrato – um processo importante para que esses substratos possam ser usados como fonte de energia, em vez de serem armazenados na forma de gordura.

“Não houve alteração na expressão desses genes após o procedimento cirúrgico. Porém, observou-se que os genes UCP1 e UCP3 influenciam a oxidação de substratos energéticos após a cirurgia, sendo que, quanto maior a expressão de UCP3, maior oxidação de carboidratos e oxidação total”, contou a pesquisadora.

Além disso, a expressão de UCP3 também influenciou a diminuição do índice de massa corporal e de massa gorda, bem como o aumento da massa corporal magra seis meses após a cirurgia bariátrica. “Quanto maior a expressão de UCP3, portanto, maior foi a perda de peso e de massa gorda seis meses após a cirurgia”, disse Nonino.

Outro gene investigado pelo LEN é o da perilipina 1 (PLIN1). Segundo Nonino, esse gene codifica a proteína mais abundante no entorno dos adipócitos e que desempenha papel-chave no armazenamento de lipídeos.

Em um estudo publicado em julho na revista Obesity Surgery, a equipe do LEN mostrou que a expressão gênica de UCP2 e PLIN1 influenciam a taxa metabólica de repouso e o porcentual de perda de peso em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

“Observou-se que os genes UCP2 e PLIN1 influenciam o aumento da taxa metabólica de repouso no período pré-operatório, quando ajustado por peso. Além disso, a expressão desses genes contribui para maior porcentagem de perda de peso após seis meses de cirurgia bariátrica”, disse a pesquisadora.

O artigo descreveu ainda que, na avaliação feita seis meses após a operação, a expressão de UCP2 havia quase dobrado em relação aos níveis pré-cirúrgicos. Já os níveis de PLIN1 não foram alterados após o procedimento.

“O aumento da expressão gênica de UCP2 foi relacionado à maior taxa de metabolismo em repouso, podendo trazer uma maior perda de peso”, avaliou Nonino.

As análises foram conduzidas durante o mestrado de Bruno Affonso Parenti de Oliveira, bolsista da FAPESP.

A expressão aumentada de UCP2 também foi relacionada à maior perda de peso em um trabalho feito com mulheres obesas submetidas a dieta hipocalórica (1.200 kcal por dia).

Esses resultados já estão disponíveis no site do European Journal of Clinical Nutrition. As análises foram conduzidas durante o mestrado de Cristiana Cortes de Oliveira.

Outra linha de investigação do LEN é a relação de Polimorfismos de nucleotídeo único (SNP) do gene UCP1 com as doenças associadas à obesidade, como o diabetes.

Em artigo publicado na revista Nutrition, por exemplo, os pesquisadores evidenciaram a relação entre o polimorfismo de base única na região promotora do gene da UCP1 (-3826 A/G) com menor peso e menor quantidade de gordura corporal – em relação a indivíduos que não apresentam o alelo mutado.

Mostraram ainda que a presença do alelo mutado em homozigose (alelos herdados do pai e da mãe) foi protetor para o desenvolvimento do diabetes do tipo 2.

Essa matéria foi originalmente publicada no site da Agência Fapesp.

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