Ciência

Existe uma fórmula para o amor? Matemática tenta explicar por que casais duram mais

Modelos analisam como atração, conflitos e respostas emocionais influenciam a estabilidade dos relacionamentos ao longo do tempo

Relacionamentos: modelos matemáticos tentam identificar padrões ligados à estabilidade dos casais (Sompong Rattanakunchon/Getty Images)

Relacionamentos: modelos matemáticos tentam identificar padrões ligados à estabilidade dos casais (Sompong Rattanakunchon/Getty Images)

Publicado em 13 de setembro de 2026 às 04h42.

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Os relacionamentos amorosos podem apresentar padrões de mudança que a matemática consegue representar. Pesquisadores vêm usando equações para analisar como sentimentos evoluem diante de conflitos, estresse e outras pressões.

A abordagem foi apresentada em material divulgado pelo Taylor & Francis Group e publicado na última segunda-feira, 7, pelo ScienceDaily. O trabalho reúne décadas de pesquisas que tratam os relacionamentos como sistemas dinâmicos.

O matemático Laurent Pujo-Menjouet, da Universidade de Lyon I, é um dos pesquisadores envolvidos nesse campo. Os modelos desenvolvidos por ele e outros cientistas buscam representar como diferentes fatores interferem na trajetória de um casal.

Da matemática das populações aos relacionamentos

A aplicação da matemática aos relacionamentos surgiu a partir de conceitos desenvolvidos para analisar populações animais. Modelos usados para estudar coelhos, linces e lebres ajudaram a estabelecer algumas das bases dessa abordagem. Entre eles está o efeito Allee, que descreve situações em que uma população precisa superar determinado nível para aumentar suas chances de sobrevivência.

Pesquisadores passaram a explorar um princípio semelhante nos relacionamentos. Nesse contexto, o conceito de limiar representa uma intensidade mínima do vínculo necessária para manter determinada estabilidade.

A proposta não é descobrir por quem uma pessoa vai se apaixonar. O objetivo é analisar como sentimentos e comportamentos se transformam ao longo do tempo.

O ponto crítico que pode mudar um relacionamento

Os modelos desenvolvidos por diferentes pesquisadores incorporaram fatores relacionados às interações entre parceiros. O psicólogo John Gottman, por exemplo, estudou comportamentos de casais e utilizou representações matemáticas para analisar suas dinâmicas.

Outros trabalhos acrescentaram elementos como o tempo de resposta durante conflitos. Essa variável considera que uma pessoa pode demorar para reagir a um desentendimento, alterando a evolução da situação.

Nos modelos descritos por Pujo-Menjouet, existe um ponto crítico associado à intensidade dos sentimentos. Quando o vínculo permanece abaixo desse nível, o modelo prevê uma tendência de enfraquecimento progressivo.

A estrutura também considera perturbações externas capazes de modificar a dinâmica do casal. Estresse, discussões e outras dificuldades aparecem entre os fatores analisados.

Três fatores aparecem na dinâmica dos casais

Os modelos destacam três componentes principais para representar a evolução dos relacionamentos. Um deles é a atração existente entre os parceiros.

Outro fator é a redução gradual da intensidade dos sentimentos que pode ocorrer ao longo do tempo. O terceiro está relacionado à maneira como cada pessoa reage emocionalmente às atitudes da outra.

A interação entre esses elementos ajuda a representar a capacidade de um relacionamento de retornar a um estado de equilíbrio depois de uma perturbação.

Nesse contexto, a ocorrência de conflitos não é o único elemento considerado. A maneira como os parceiros respondem depois de uma situação difícil também interfere na dinâmica representada pelas equações.

IA pode ajudar a detectar sinais de instabilidade

Os pesquisadores também estudam a possibilidade de combinar modelos matemáticos com inteligência artificial. A proposta seria desenvolver ferramentas capazes de identificar sinais de instabilidade em relacionamentos.

Uma aplicação desse tipo poderia funcionar como um sistema de alerta, indicando mudanças na dinâmica de um casal antes que elas se tornassem mais difíceis de reverter. Essa possibilidade, porém, ainda não representa uma ferramenta validada para prever o futuro de relacionamentos reais.

Os próprios pesquisadores reconhecem limitações importantes nesses modelos. Grande parte dos estudos foi desenvolvida com base em relacionamentos observados em sociedades ocidentais. Diferenças culturais, religiosas, econômicas e geracionais podem alterar a maneira como os vínculos são construídos e mantidos. Um modelo aplicável a diferentes populações exigiria, portanto, mais variáveis.

O comportamento humano também pode mudar de maneira inesperada. Pessoas modificam hábitos, procuram terapia, alteram seu comprometimento e respondem de formas diferentes às mesmas situações.

Por isso, pesquisadores destacam que as equações podem ser usadas para identificar tendências na dinâmica dos relacionamentos, e não para determinar um desfecho inevitável.

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