Elon Musk defende a criação de uma cidade autossustentável na Lua, capaz de se expandir gradualmente com recursos extraídos do próprio solo lunar (Andrew Harnik / Equipe/Getty Images)
Redatora
Publicado em 4 de março de 2026 às 05h30.
A construção de uma cidade na Lua capaz de se expandir gradualmente com recursos locais passou a ser a nova prioridade estratégica de Elon Musk. O fundador da SpaceX afirmou que o assentamento lunar pode avançar em menos de dez anos, colocando o satélite natural da Terra à frente de Marte no cronograma de colonização espacial.
A declaração foi feita em publicação na rede social X, na qual Musk indicou que a proximidade da Lua permite acelerar testes, infraestrutura e logística de transporte espacial.
A proposta envolve criar um assentamento humano autossustentável, capaz de produzir parte do próprio oxigênio, água e materiais de construção a partir do regolito lunar — a camada de solo que cobre a superfície da Lua.
Segundo Musk, lançamentos frequentes de foguetes permitiriam enviar equipamentos a cada poucos dias, já que a viagem da Terra até a Lua leva cerca de dois dias. Para Marte, o tempo de deslocamento é de aproximadamente seis meses, com janelas de lançamento que se abrem a cada 26 meses.
Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que a extração de oxigênio do solo lunar e o reaproveitamento de recursos são tecnicamente possíveis, mas ainda exigem testes em ambiente real. O desafio envolve temperaturas extremas, poeira abrasiva, baixa gravidade e limitação de energia.
A mudança de foco representa uma inflexão na estratégia da SpaceX, historicamente associada à colonização marciana. A principal vantagem da Lua é a proximidade com a Terra, o que facilita o reabastecimento e a resposta rápida a emergências.
O programa Artemis, liderado pela NASA, também prevê o retorno de astronautas à superfície lunar nesta década, com participação da SpaceX no desenvolvimento de sistemas de pouso.
Pesquisadores destacam que uma base lunar serviria como campo de testes para tecnologias de habitação espacial, reciclagem de ar e água, produção de alimentos e mineração de recursos. A experiência poderia reduzir riscos antes de missões tripuladas a Marte.
Embora a visão de uma cidade que “cresce sozinha” seja considerada viável em etapas iniciais, especialistas apontam que a autossuficiência completa é um objetivo de longo prazo.
A produção de alimentos em ambiente fechado, a criação de sistemas totalmente recicláveis e a exploração econômica de recursos minerais ainda dependem de avanços tecnológicos. Também será necessária uma campanha detalhada de prospecção para identificar áreas com gelo de água e materiais aproveitáveis.
O anúncio ocorre em um momento de intensificação da corrida espacial, com maior presença da China em missões lunares e crescente competição comercial no setor privado.
Além da colonização, analistas apontam que uma eventual infraestrutura fora da Terra pode apoiar aplicações tecnológicas estratégicas. Musk já mencionou planos de expandir sistemas de computação no espaço, embora não haja confirmação de que esses projetos estejam diretamente ligados a uma base lunar.
Mesmo assim, pesquisadores consideram plausível que, nos próximos dez anos, um pequeno posto avançado lunar consiga produzir parte do próprio oxigênio e extrair água.