Audição: cientistas investigam efeito da serotonina no ouvido (Getty Images)
Redatora
Publicado em 17 de maio de 2026 às 06h15.
A serotonina, substância química cerebral ligada à sensação de bem-estar e estimulada por muitos antidepressivos, pode também estar relacionada ao agravamento do zumbido no ouvido. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Oregon Health & Science University e da Universidade de Anhui, na China.
Os resultados foram divulgados pela ScienceDaily e publicados no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Segundo os cientistas, a descoberta pode ajudar a explicar por que algumas pessoas relatam piora do zumbido durante tratamentos com antidepressivos da classe ISRS, conhecidos por aumentar os níveis de serotonina no cérebro.
O zumbido no ouvido é caracterizado pela percepção persistente de sons como chiados, apitos ou ruídos sem uma fonte sonora externa. Em alguns casos, o problema pode afetar o sono, a concentração e a qualidade de vida.
Para entender a relação entre serotonina e sintomas auditivos, pesquisadores analisaram o comportamento de ratos após alterações nos níveis do neurotransmissor. Segundo o estudo, o aumento da serotonina elevou comportamentos associados ao zumbido.
Os cientistas afirmam que há muito tempo suspeitavam da participação desse neurotransmissor no problema, mas o mecanismo cerebral envolvido ainda não era totalmente compreendido.
No estudo, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada optogenética, que usa fibras ópticas e luz para ativar células cerebrais específicas. Ao estimular neurônios responsáveis pela produção de serotonina, a equipe observou aumento da atividade em regiões cerebrais ligadas à audição.
Segundo Laurence Trussell, professor de otorrinolaringologia da OHSU e um dos autores da pesquisa, os animais apresentaram respostas compatíveis com sintomas semelhantes ao zumbido. Dessa forma, ao desativar esse circuito cerebral, o estudo identificou que os sinais associados ao problema diminuíram significativamente.
Os pesquisadores destacam que os resultados não significam que antidepressivos devam ser interrompidos sem orientação médica.Segundo a equipe, pessoas com zumbido devem conversar com seus médicos para encontrar tratamentos que equilibrem o controle de sintomas psiquiátricos e possíveis efeitos auditivos.
A descoberta também pode contribuir para o desenvolvimento de medicamentos mais específicos, capazes de preservar os efeitos antidepressivos sem interferir em áreas cerebrais ligadas à audição.