Ciência

Cientistas criam tinta que deixa casas mais frias e capta água do ar

Nova tecnologia australiana combina resfriamento passivo e captação de água atmosférica em um único material aplicado sobre telhados

Tinta: revestimento capaz de refletir até 97% da luz solar e coletar água da umidade do ar sem usar energia elétrica (Dewpoint Innovations/Divulgação)

Tinta: revestimento capaz de refletir até 97% da luz solar e coletar água da umidade do ar sem usar energia elétrica (Dewpoint Innovations/Divulgação)

Publicado em 17 de maio de 2026 às 06h37.

Uma tinta capaz de deixar casas mais frias e ainda produzir água potável diretamente do ar pode soar como ficção científica, mas pesquisadores australianos afirmam que a tecnologia já funciona em testes reais.

Tinta tecnológica resfria imóveis e capta água da atmosfera

O material foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Sidney, na Austrália, em parceria com a startup Dewpoint Innovations. O estudo foi publicado pela revista científica Advanced Functional Materials.

A equipe criou um revestimento que reflete até 97% da luz solar, reduzindo drasticamente o aquecimento das superfícies. Segundo os pesquisadores, o material consegue manter telhados até 6 °C mais frios do que a temperatura do ar ao redor, mesmo sob sol intenso.

Além de resfriar os imóveis, a tinta também consegue captar água da atmosfera. Isso acontece porque a superfície resfriada favorece a condensação do vapor d’água presente no ar, de forma parecida com o embaçamento de um espelho após um banho quente.

Em testes realizados durante seis meses no telhado do Sydney Nanoscience Hub, os cientistas registraram coleta de orvalho em 32% dos dias do ano. Em condições ideais, o sistema conseguiu captar até 390 mililitros de água por metro quadrado diariamente.

A professora Chiara Neto, líder da pesquisa, destacou o potencial da tecnologia diante das mudanças climáticas. “Essa tecnologia não apenas avança a ciência dos revestimentos de resfriamento, mas também abre caminho para fontes sustentáveis, baratas e descentralizadas de água doce”, afirmou Neto.

Material pode ajudar lugares que sofrem com o calor

Segundo os pesquisadores, o material pode ajudar especialmente cidades que sofrem com ilhas de calor, fenômeno em que áreas urbanas ficam muito mais quentes por causa do excesso de concreto e superfícies escuras.

O diferencial do revestimento está na estrutura microscópica do material. Em vez de depender apenas de pigmentos brancos tradicionais, a tinta utiliza poros minúsculos que espalham a luz solar e evitam a absorção de calor. Isso também reduz o desgaste provocado pela radiação ultravioleta.

O pesquisador Ming Chiu explicou que o objetivo é transformar telhados em ferramentas climáticas. “Nossa tinta vai reduzir significativamente a carga de calor que o sol coloca sobre as cidades”, disse o cientista, em entrevista à CNN dos Estados Unidos. 

Os cientistas afirmam que a tecnologia ainda está em fase de adaptação comercial, mas a expectativa é criar uma versão aplicável com rolos e sprays comuns, como uma tinta convencional.

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