Ciência

Do tamanho de uma mesa: fóssil revela o maior escorpião da história

Animal media cerca de 1 metro, tinha pinças de mais de 16 centímetros e pode ter passado parte da vida em ambientes aquáticos

Escorpião gigante: Praearcturus gigas media cerca de 1 metro e viveu há aproximadamente 415 milhões de anos (Franz Anthony / Natural History Museum, London)

Escorpião gigante: Praearcturus gigas media cerca de 1 metro e viveu há aproximadamente 415 milhões de anos (Franz Anthony / Natural History Museum, London)

Publicado em 20 de setembro de 2026 às 08h54.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreAnimais
Saiba mais

Um escorpião de aproximadamente um metro de comprimento viveu na Terra há cerca de 415 milhões de anos. O tamanho do animal era comparável ao de uma mesa de centro, e suas pinças ultrapassavam 16 centímetros. A espécie Praearcturus gigas é considerada o maior escorpião conhecido pela ciência.

O animal habitava a região que hoje corresponde à Inglaterra e ao País de Gales durante o Devoniano Inferior. A descoberta foi feita após pesquisadores reexaminarem fósseis que estavam em coleções de museus havia mais de 150 anos.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Manchester e do Museu de História Natural de Londres. O trabalho foi publicado na revista científica Palaeontology.

Maior escorpião conhecido viveu há 415 milhões de anos

O Praearcturus gigas viveu em uma época muito anterior ao surgimento das grandes florestas. Naquele período, os ambientes terrestres ainda eram pouco desenvolvidos e pequenas plantas e fungos começavam a ocupar a superfície.

A descoberta chama atenção porque o gigantismo de artrópodes costuma ser associado a períodos posteriores da história da Terra. Um exemplo são as florestas do Carbonífero, que abrigaram animais invertebrados de grandes dimensões.

O novo estudo mostra que artrópodes gigantes já existiam dezenas de milhões de anos antes desse período. Segundo os pesquisadores, o Praearcturus pode ter ocupado um papel importante nos ambientes de planície aluvial do Devoniano Inferior.

Fóssil confundiu pesquisadores por mais de um século

O Praearcturus gigas foi descrito pela primeira vez em 1871. Na época, os fósseis foram interpretados como pertencentes a um crustáceo gigante semelhante a um tatuzinho-de-jardim.

Os restos encontrados eram incompletos e não apresentavam algumas estruturas importantes para identificar o animal. Entre as características ausentes estava a cauda, elemento que ajudaria a reconhecer um escorpião.

Mais de um século depois, os pesquisadores compararam os fósseis históricos com exemplares encontrados posteriormente. Os novos materiais apresentavam características anatômicas típicas de escorpiões.

Com o auxílio de métodos modernos de análise e técnicas de imagem, a equipe concluiu que o animal era um escorpião e pertencia a uma espécie própria.

Por que o escorpião era tão grande?

O tamanho do Praearcturus gigas também levanta questões sobre o gigantismo dos artrópodes. Uma das hipóteses tradicionalmente discutidas envolve os níveis de oxigênio atmosférico.

Em períodos posteriores, como o Carbonífero, a concentração de oxigênio foi associada ao grande tamanho de alguns artrópodes. O escorpião recém-identificado, porém, viveu muito antes dessas condições.

Por isso, os pesquisadores consideram que outros fatores podem ter contribuído para seu tamanho. Uma possibilidade é a chamada oportunidade ecológica. Com poucos grandes predadores competindo por recursos, o Praearcturus pode ter encontrado condições para ocupar um nicho de grande predador.

A hipótese ainda não explica sozinha o gigantismo do animal. Os pesquisadores consideram que diferentes fatores ambientais e ecológicos podem ter influenciado seu desenvolvimento.

Escorpião gigante pode ter vivido na água

Os fósseis também levantam a possibilidade de que o Praearcturus tenha passado parte da vida em ambientes aquáticos. Alguns exemplares apresentam estruturas semelhantes a abas no abdômen. Essas características lembram estruturas encontradas em crustáceos atuais, como as lagostas.

A hipótese é reforçada por outro padrão observado no registro fóssil. Escorpiões são relativamente comuns nas rochas desse período quando comparados a outros aracnídeos.

Para os pesquisadores, isso pode indicar que alguns escorpiões primitivos ocupavam ambientes de água doce. Esses locais também poderiam favorecer a preservação de seus restos.

Ainda assim, os cientistas tratam a possibilidade como uma hipótese. O material fóssil disponível não permite afirmar que o Praearcturus era exclusivamente aquático.

Descoberta amplia a história dos artrópodes gigantes

A identificação do maior escorpião conhecido amplia o registro de gigantismo entre artrópodes para um período muito mais antigo. O Praearcturus gigas viveu em uma fase de transição, quando os animais começavam a ocupar ambientes terrestres de maneira mais ampla. A fronteira entre os habitats aquáticos e terrestres também era diferente da atual.

Para os pesquisadores, o animal pode ajudar a compreender como os primeiros artrópodes se adaptaram a esses ambientes.

Acompanhe tudo sobre:CuriosidadesAnimaisPesquisas científicas

Mais de Ciência

Ozempic, Mounjaro e Wegovy: estudo aponta risco raro de perda súbita de visão

Primeiro exame de sangue para Alzheimer chega ao Brasil; veja preço e quem pode fazer

AstraZeneca nomeia Filippo Fontana para comandar operação no Brasil

Brasil integra estudo de tratamento contra HIV com aplicações a cada quatro meses