Nanotyrannus: esqueleto chamado Jodi foi descoberto em Montana em 2019 e vendido por US$ 47,3 milhões (Divulgação/Matthew Sherman)
Redatora
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 16h34.
Um raro esqueleto de Nanotyrannus, dinossauro semelhante a uma versão menor do Tyrannosaurus rex, foi vendido por US$ 47,3 milhões (cerca de R$ 254,6 milhões) em um leilão da Sotheby's, em Nova York, nos Estados Unidos.
O fóssil, chamado Jodi, tornou-se o segundo esqueleto de dinossauro mais caro já vendido em leilão. A disputa durou aproximadamente 12 minutos e envolveu seis participantes.Segundo comunicado da Sotheby's, o valor superou a estimativa inicial de US$ 6 milhões a US$ 9 milhões. O recorde pertence a Gus, um esqueleto de T. rex arrematado por US$ 50,1 milhões em julho deste ano.
Jodi tem aproximadamente 67 milhões de anos, mede 5,9 metros de comprimento e 2,9 metros de altura. O espécime é um dos três esqueletos relativamente completos de Nanotyrannus conhecidos pela ciência. De acordo com a Sotheby's, o exemplar reúne 191 elementos ósseos, incluindo um crânio praticamente completo.
O fóssil preserva cerca de 70% do esqueleto original. As partes ausentes foram substituídas por peças personalizadas produzidas por impressão 3D e técnicas de escultura.
A descoberta ocorreu em 2019, em uma propriedade rural de Montana, nos Estados Unidos. O nome Jodi homenageia Jodi Pierson, proprietária da área onde os ossos foram encontrados. A escavação foi realizada por Clayton Phipps, paleontólogo comercial conhecido como “Cowboy dos Dinossauros”.
O material foi encontrado na Formação Hell Creek, região geológica que abrange partes de Montana, Wyoming e das Dakotas e concentra importantes descobertas de dinossauros.
O Nanotyrannus viveu durante o período Cretáceo, há aproximadamente 67 milhões de anos. Embora apresentasse semelhanças com o Tyrannosaurus rex, possuía características distintas, como braços proporcionalmente mais longos, garras maiores nas mãos e dentes mais finos e afiados.
Durante décadas, pesquisadores discutiram se os fósseis atribuídos ao gênero pertenciam a um dinossauro diferente ou representavam exemplares jovens de T. rex. Pesquisas recentes reforçaram a interpretação de que o Nanotyrannus era um dinossauro distinto, de menor porte.
Além de Jodi, outros dois esqueletos relativamente completos são conhecidos: Jane, exposto no Museu Burpee de História Natural, em Illinois, e um espécime encontrado junto a um Triceratops no fóssil conhecido como “Dinossauros Duelistas”. Esse último está no Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
Segundo a Sotheby's, as características dos ossos indicam que Jodi era um exemplar adulto.
A comercialização de fósseis por valores milionários provoca críticas de pesquisadores, principalmente pelo risco de que exemplares importantes sejam mantidos em coleções privadas sem acesso para estudos.
De acordo com a CNN, Steve Brusatte, professor de paleontologia da Universidade de Edimburgo, na Escócia, manifestou preocupação com a possibilidade de o esqueleto não ser disponibilizado ao público. O paleontólogo destacou que as evidências recentes favoráveis à existência do Nanotyrannus como dinossauro distinto tornam o exemplar especialmente relevante.
David Hone, professor de zoologia da Queen Mary University de Londres, também questionou os preços alcançados pelos fósseis em leilões. Segundo Hone, o valor científico de Jodi ainda depende de uma análise especializada e revisada por outros pesquisadores.
A identidade do comprador não foi divulgada.
Segundo a Sotheby's, o esqueleto foi vendido com direitos que permitem ao novo proprietário produzir e comercializar réplicas para museus ou colecionadores.
Ainda não há informações sobre o destino do fóssil ou se o exemplar será disponibilizado para exposição pública e pesquisas científicas.