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Empresas que mais geram valor com inteligência artificial adotam estas estratégias, diz McKinsey (Adobe Stock)
Jornalista
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 16h27.
Última atualização em 28 de outubro de 2026 às 17h35.
Empresas de diferentes setores estão incorporando inteligência artificial às operações, mas a adoção da tecnologia não garante resultados financeiros. Uma pesquisa da consultoria McKinsey mostra que as organizações que extraem mais valor da IA tendem a combinar investimentos tecnológicos com mudanças na forma de trabalhar, participação ativa da liderança e objetivos que vão além da redução de custos.
Para profissionais que participam de decisões, projetos e processos de transformação, entender essas diferenças ajuda a identificar por que algumas iniciativas avançam e outras permanecem restritas a testes.
Na pesquisa The State of AI in 2025, publicada em novembro daquele ano, a McKinsey identificou uma diferença entre a disseminação da inteligência artificial e seu impacto nos resultados das organizações.
Embora quase nove em cada dez entrevistados afirmassem que suas empresas utilizavam IA regularmente, quase dois terços ainda não haviam começado a expandir a tecnologia por toda a organização. Além disso, apenas 39% relataram algum impacto da IA no resultado operacional da empresa, medido pelo indicador EBIT, que representa o lucro antes de juros e impostos.
O levantamento ouviu 1.993 participantes, entre 25 de junho e 29 de julho de 2025. Os resultados mostram que adotar ferramentas e obter ganhos em tarefas específicas não significa, necessariamente, transformar o desempenho financeiro do negócio.
Um dos principais fatores associados aos resultados é a reorganização dos processos para incorporar a inteligência artificial.
Segundo a McKinsey, empresas classificadas como de alto desempenho em IA eram 2,8 vezes mais propensas a afirmar que haviam redesenhado fundamentalmente seus fluxos de trabalho. Nesse grupo, 55% relataram mudanças desse tipo, ante 20% das demais organizações.
Na prática, isso significa ir além de adicionar uma ferramenta a uma rotina existente. Em uma equipe de marketing, por exemplo, a IA pode apoiar a pesquisa de referências, a análise de dados e a criação de versões iniciais de campanhas. A empresa pode reorganizar as etapas para reduzir tarefas repetitivas e reservar mais tempo para estratégia, revisão e avaliação dos resultados.
A implementação também depende do envolvimento de executivos e gestores. De acordo com a McKinsey, os profissionais entrevistados em empresas de alto desempenho tinham três vezes mais probabilidade de afirmar que a liderança demonstrava forte compromisso com as iniciativas de IA.
Esse envolvimento inclui definir prioridades, estabelecer responsabilidades, disponibilizar recursos e acompanhar os resultados. Quando a iniciativa fica restrita à área de tecnologia, pode haver dificuldade para integrá-la às necessidades das equipes de negócio.
A liderança também precisa definir regras de uso e validação, especialmente quando os sistemas lidam com informações confidenciais, dados de clientes ou decisões que exigem julgamento humano.
Reduzir custos é um objetivo frequente das iniciativas de IA. No entanto, a pesquisa aponta que as empresas que extraem mais valor também tendem a buscar crescimento e inovação.
Isso pode envolver desenvolver novos produtos, melhorar a experiência do cliente, identificar oportunidades comerciais ou acelerar a análise de informações para apoiar decisões. A tecnologia passa a ser considerada não apenas um meio de executar tarefas com menos recursos, mas também uma ferramenta para criar novas possibilidades de negócio.
Para um gerente comercial, por exemplo, a IA pode ajudar a identificar padrões de comportamento dos clientes e subsidiar a definição de campanhas. O resultado depende de como essas informações são aplicadas e de sua contribuição para indicadores concretos, como conversão, receita e retenção.
Outra prática relevante é estabelecer indicadores para avaliar se as soluções estão entregando os resultados esperados. Entre as medidas possíveis estão o tempo economizado, a redução de erros, o custo por operação e o impacto sobre a receita.
A McKinsey também destaca a importância de definir quando os resultados produzidos pelos modelos precisam de validação humana. Isso permite estabelecer limites para a automação e reduzir riscos associados a informações incorretas.
A capacitação dos profissionais complementa esse processo. As equipes precisam compreender como formular solicitações, verificar respostas, proteger dados e reconhecer situações em que a tecnologia não é adequada.
Sem treinamento e critérios de avaliação, o uso de IA pode se espalhar sem que a organização consiga identificar quais aplicações realmente contribuem para o negócio.
Os dados da McKinsey indicam que o valor da inteligência artificial depende de mudanças organizacionais, e não apenas da aquisição de ferramentas. A combinação de processos redesenhados, liderança envolvida, objetivos de negócio claros e acompanhamento de resultados está associada a um desempenho superior.
Para profissionais que lideram projetos ou participam da implementação dessas soluções, o primeiro passo é identificar um problema específico, estabelecer uma métrica de sucesso e testar a tecnologia em um fluxo de trabalho delimitado. A partir dos resultados, a empresa pode ajustar o processo e avaliar se faz sentido ampliar a aplicação.