Ciência

Descoberta na Inglaterra expõe crânios e mortes violentas de 1200 anos

Vala comum perto de Cambridge tem sinais de decapitação e desmembramento; equipe investiga execução ou batalha

crânio (©afp.com / VANO SHLAMOV)

crânio (©afp.com / VANO SHLAMOV)

Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 05h14.

Arqueólogos encontraram uma vala comum com esqueletos de cerca de 1.200 anos no Wandlebury Country Park, a aproximadamente 4,8 km de Cambridge, na Inglaterra. Os restos mortais apresentam sinais de mortes violentas, incluindo indícios de decapitação, desmembramento e sepultamento em condições consideradas incomuns para o período.

A descoberta ocorreu durante escavações realizadas na primavera e no verão do ano passado e foi liderada por Oscar Aldred, arqueólogo da Universidade de Cambridge. Em entrevista à CNN, ele afirmou que as evidências apontam para um cenário de violência interpessoal, mas ainda não permitem concluir se os mortos foram vítimas de uma batalha ou de uma execução.

Séculos VIII e IX orienta hipóteses sobre a vala comum

Aldred avalia que a vala pode estar ligada a um episódio ocorrido entre os séculos VIII e IX d.C.. A hipótese inclui tanto um confronto quanto uma punição coletiva, mas o arqueólogo ressalta que os dados disponíveis ainda não são conclusivos.

O sepultamento em vala coletiva chama atenção porque, de acordo com a equipe, o costume cristão da época previa enterros separados, mesmo em situações envolvendo pessoas executadas.

Sinais de Violência

Entre os achados, um corpo foi enterrado de bruços, o que pode indicar desrespeito e, possivelmente, restrição física. Outro indivíduo foi considerado quase certamente decapitado, com corte na primeira vértebra da coluna e uma marca profunda na mandíbula inferior.

Em outro caso, restaram apenas os ossos da parte inferior das pernas, pés e rótulas. Para os pesquisadores, esse conjunto de evidências reforça a possibilidade de mortes violentas no local.

Crânios em Exposição

Os arqueólogos também encontraram um detalhe que torna o caso mais complexo: sobre quatro corpos e partes de outro, havia mais seis crânios. A equipe acredita que os corpos principais foram enterrados ao mesmo tempo, mas que os crânios pertenciam a pessoas mortas anteriormente.

Como esses crânios já não tinham as mandíbulas inferiores presas, Aldred considera possível que tenham ficado em exibição antes de serem colocados na vala. Outra hipótese é que sejam restos recolhidos em uma área de combate.

Despojamento dos Corpos

Outro ponto observado na escavação foi a falta de artefatos próximos aos esqueletos. Para Aldred, isso pode indicar que os indivíduos foram despojados de seus pertences antes do sepultamento.

A ausência de objetos também dificulta a identificação imediata do contexto, já que não há itens que ajudem a associar os mortos a um grupo específico.

O 'Gigante' Arqueológico

Um dos esqueletos apresenta um grande orifício no crânio, associado à trepanação, técnica cirúrgica antiga usada em tentativas de tratar dores de cabeça, convulsões e distúrbios psicológicos. O indivíduo também tinha 1,95 m de altura, medida considerada rara para o período, quando a média masculina era de cerca de 1,68 m.

A curadora Trish Biers afirmou que o indivíduo pode ter tido um tumor que afetou a glândula pituitária. Isso poderia ter aumentado a pressão intracraniana e motivado a tentativa de alívio por meio da trepanação.

A equipe pretende aprofundar as análises dos ossos e dentes para confirmar se os indivíduos eram homens, se havia parentesco entre eles e qual era a origem geográfica do grupo. Esses dados também devem ajudar a diferenciar se os mortos eram anglo-saxões ou vikings.

Acompanhe tudo sobre:ArqueologiaInglaterra

Mais de Ciência

Cientista brasileira testa 'faz de conta' e macaco acerta resultado

Evento inédito: buraco negro permanece ativo seis anos após engolir estrela

China plantou milhões de árvores para conter deserto — mas floresta consumiu toda água da população

Gatos ou cachorros? O que a preferência revela sobre sua personalidade