Ilha da Trindade: pesquisa revela como uma ilha isolada conseguiu recuperar sua flora após intervenção ambiental
Redatora
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 06h41.
A Ilha da Trindade, localizada no Atlântico Sul, registra recuperação ambiental significativa após a retirada de cabras introduzidas há mais de três séculos. Localizada a 1.180 quilômetros da costa do Espírito Santo, a ilha oceânica é administrada pela Marinha do Brasil.
Segundo estudo publicado no Journal of Vegetation Science, a cobertura vegetal aumentou 1.468% nos últimos 30 anos, impulsionada pela ausência de animais herbívoros e pelo retorno de espécies nativas e endêmicas.
A deterioração ecológica teve início em torno de 1700, quando o astrônomo britânico Edmond Halley deixou cabras na ilha como fonte de alimento para navegadores. O rebanho se expandiu, reduziu a floresta original e acelerou a erosão do solo.
A remoção total dos animais ocorreu em 2005 após operação coordenada pela Marinha e pelo Museu Nacional. Desde então, pesquisadores acompanham o processo de regeneração natural da vegetação.
O estudo registra aumento de áreas florestadas e campos nativos, com destaque para as samambaias-gigantes (Cyathea copelandii), que hoje formam o estrato dominante da nova cobertura vegetal.
A Ilha da Trindade é conhecida por reunir curiosidades históricas, relatos inusitados e episódios que alimentam sua reputação de território “misterioso” no Atlântico Sul. Entre os registros mais citados estão:
A presença permanente da Marinha e de pesquisadores mantém a ilha como ponto estratégico para o Brasil e para pesquisas oceânicas, vulcânicas e ecológicas.
A regeneração da vegetação ocorre sem reflorestamento ativo, impulsionada por fatores climáticos e ausência de espécies invasoras.
Trindade abriga espécies nativas e endêmicas, o que torna o processo relevante para estudos de biodiversidade, espécies invasoras, restauração ecológica e conservação ambiental em ilhas oceânicas.
Pesquisadores avaliam que a floresta original não deve retornar ao padrão registrado nos séculos anteriores - isso devido à perda de dispersores e à mudança ecológica acumulada -, mas apontam que a ilha consolida um novo ciclo ambiental baseado em vegetação nativa.