Ciência

Perigo na água? Pernambuco volta a monitorar tubarões após 11 anos

Estado concentra cerca de 60% dos ataques de tubarões registrados no país desde 1931

Tubarões: Estado concentra 60% dos ataques registrados no país e investirá em pesquisa, prevenção e sinalização (Getty Images)

Tubarões: Estado concentra 60% dos ataques registrados no país e investirá em pesquisa, prevenção e sinalização (Getty Images)

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 06h46.

O governo de Pernambuco decidiu retomar o monitoramento de tubarões no litoral do estado. A medida foi publicada no Diário Oficial e anunciada cinco dias após uma turista ser mordida na perna pelo animal enquanto mergulhava com snorkel em Fernando de Noronha. O projeto havia sido encerrado há 11 anos e voltará a funcionar a partir de maio.

O edital prevê investimento de R$ 1,05 milhão por dois anos para financiar pesquisas acadêmicas focadas em padrões de deslocamento, comportamento e ecologia das espécies. Pernambuco concentra cerca de 60% dos ataques de tubarão registrados no Brasil.

Como será o novo monitoramento

O estado pretende ampliar a cobertura - atualmente restrita ao Arquipélago de Fernando de Noronha - para toda a costa continental. De acordo com comunicado divulgado pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE) em conjunto com a Facepe (Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco), a metodologia inclui:

  • marcação de tubarões com transmissores acústicos
  • instalação de receptores submersos
  • integração com modelagem oceanográfica e variáveis ambientais
  • uso de sensoriamento remoto
  • criação de plataformas digitais para visualização e comunicação preventiva
  • ações de ciência cidadã com comunidades pesqueiras e usuários do litoral

O projeto resultará na elaboração de um Plano Estadual para Pesquisa e Monitoramento de Tubarões.

Incidência e ranking nacional

Dados do International Shark Attack File indicam que, desde 1931, o Brasil registrou 111 ataques não provocados. Pernambuco lidera a lista. Confira o ranking:

  • Pernambuco: 65 casos
  • São Paulo: 11 casos
  • Maranhão: 10 casos
  • Outros estados: números residuais ou sem registro
  • Espírito Santo, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Piauí, Pará e Amapá: sem registros no compilado

O levantamento estadual também apresenta números próprios: desde 1992, foram 81 incidentes em Pernambuco, sendo 67 na Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha.

A Semas afirma ter reforçado a prevenção com a instalação de 150 placas de alerta nas praias da Região Metropolitana do Recife e a ampliação de embarcações para orientar banhistas.

O estado firmou parcerias com universidades para produzir dados e aprimorar a comunicação de perigo. A expectativa é que o monitoramento atualizado permita identificar zonas de risco, qualificar a gestão da informação e melhorar a segurança aquática.

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