Vida fora da Terra: luas de planetas que não habitam nenhuma estrela podem ter condições necessárias (Freepik)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 18 de março de 2026 às 06h18.
Luas que orbitam planetas errantes podem reunir condições para o surgimento de vida, mesmo sem receber luz de uma estrela.
A conclusão é de um estudo publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, da editora Oxford Academic. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Ludwig Maximilian de Munique (LMU) e do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE), com liderança do pesquisador David Dahlbüdding.
As simulações indicam que essas luas podem manter água no estado líquido por até 4,3 bilhões de anos, período comparável à idade da Terra.
O principal mecanismo é o aquecimento de maré. Após serem expulsos de seus sistemas, os planetas passam a ter luas em órbitas elípticas, o que gera deformações internas e calor suficiente para evitar o congelamento da água.
Outro fator decisivo é a presença de atmosferas ricas em hidrogênio. Em alta pressão, o gás consegue reter calor mantendo temperaturas estáveis mesmo no espaço interestelar.
Planetas errantes são planetas que não orbitam nenhuma estrela. Eles se deslocam livremente pelo espaço interestelar após serem expulsos de seus sistemas de origem.
Esses objetos se formam em sistemas planetários jovens. Durante o processo, interações gravitacionais entre planetas podem desestabilizar as órbitas e lançar alguns deles para fora do sistema.
Mesmo após a ejeção, esses planetas podem manter luas em órbita. Nessas luas, forças gravitacionais podem gerar aquecimento interno, um dos fatores analisados no estudo.
Sem uma estrela, os planetas errantes não recebem luz ou calor estelar. Por isso, qualquer condição de temperatura depende de fontes internas, como calor residual de formação ou efeitos de maré.
Estimativas citadas no estudo indicam que esses planetas podem ser numerosos na Via Láctea, ampliando o número de ambientes possíveis para a presença de água líquida e, potencialmente, de vida.
O estudo também aponta que as forças de maré podem gerar ciclos de umidade e seca. Esse processo é considerado relevante para a formação de moléculas orgânicas complexas.
As simulações incluem a presença de amônia (NH₃), que pode alterar o ambiente químico e favorecer reações associadas à formação de RNA (material genético).
Segundo os autores, esses fatores aproximam tais luas de condições que podem ter existido na Terra primitiva.
O trabalho amplia o número de ambientes potencialmente habitáveis ao indicar que a vida não depende necessariamente da luz de uma estrela, mas de fontes internas de calor e de uma atmosfera capaz de reter energia.