Ciência

Como é Vostok, base russa na Antártida que registrou −89,2 °C e ajuda em estudos para a Lua

Estação fica a 3.488 metros de altitude e reúne pesquisas sobre isolamento extremo, clima e o Lago Vostok, sob quase 4 km de gelo

Antártida: Estação Vostok fica a 3.488 metros de altitude e está entre as instalações científicas mais isoladas do planeta (Josh Landis/NSF/Wikimedia Commons)

Antártida: Estação Vostok fica a 3.488 metros de altitude e está entre as instalações científicas mais isoladas do planeta (Josh Landis/NSF/Wikimedia Commons)

Publicado em 1 de novembro de 2026 às 07h10.

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Uma estação científica russa na Antártida detém o recorde da menor temperatura do ar já registrada diretamente na Terra. Em 21 de julho de 1983, os termômetros da Estação Vostok marcaram −89,2 °C, durante o inverno antártico.

Localizada a 3.488 metros de altitude, no interior do continente, a base enfrenta temperaturas extremas e longos períodos de isolamento. Essas condições também despertam o interesse de pesquisadores que estudam os desafios de futuras missões espaciais.

Fundada em 1957, Vostok voltou a chamar atenção após um vídeo da instalação circular nas redes sociais neste mês. Os dados sobre a estação constam na página oficial do Instituto de Pesquisa do Ártico e da Antártida (AARI), responsável pelas pesquisas russas na região.

Como é a estação mais fria da Antártida?

A Estação Vostok fica sobre o planalto de gelo antártico, a aproximadamente 1.350 quilômetros da Estação Progress, outra instalação russa. A temperatura média do ar chega a −35,9 °C no verão e cai para cerca de −66,7 °C no inverno.

A base também enfrenta períodos prolongados de escuridão e luz solar contínua. A noite polar ocorre aproximadamente entre 23 de abril e 21 de agosto. Já o dia polar se estende de 21 de outubro a 21 de fevereiro.

Durante o inverno, as condições meteorológicas podem impedir o acesso à instalação por meses. Nesse período, os pesquisadores dependem dos recursos disponíveis na própria estação.

Como é feito o abastecimento da Estação Vostok?

O abastecimento depende principalmente de comboios de tratores que partem da Estação Progress. As operações ocorrem durante o verão antártico, com duas travessias anuais pelo interior do continente.

O transporte de pesquisadores e trabalhadores sazonais também pode ser realizado por aviões, incluindo o modelo Basler BT-67, uma adaptação do DC-3. Entretanto, as condições climáticas restringem os períodos em que aeronaves e veículos conseguem chegar à base.

A altitude também influencia o ambiente. A pressão atmosférica média anual é de aproximadamente 624,2 hectopascais (hPa), enquanto a umidade relativa média fica em torno de 71%.

Lago Vostok está escondido sob quase 4 km de gelo

Sob uma camada de gelo de quase 4 quilômetros de espessura está o Lago Vostok, considerado o maior lago subglacial da Antártida.

O reservatório permaneceu isolado da superfície por dezenas de milhões de anos. Por isso, cientistas investigam suas características para compreender ambientes extremos e a história climática da Terra.

Em fevereiro de 2012, uma perfuração alcançou o lago a 3.769,3 metros de profundidade. Os pesquisadores obtiveram amostras de gelo e água congelada.

Uma nova perfuração atingiu o reservatório em janeiro de 2014. Posteriormente, o projeto de perfuração profunda foi suspenso enquanto os pesquisadores buscavam métodos ambientalmente seguros para continuar as investigações.

Isolamento em Vostok ajuda em estudos para futuras missões à Lua

Além das pesquisas sobre o clima e o gelo, Vostok é utilizada para estudar os efeitos do isolamento extremo sobre o organismo humano.

Durante meses, as equipes enfrentam confinamento, espaço limitado, rotina repetitiva e dificuldades para receber ajuda externa. Essas características apresentam semelhanças com os desafios de missões espaciais de longa duração.

Em um comunicado oficial sobre os 65 anos da estação, o AARI destaca a importância das condições de Vostok para estudos relacionados a uma futura base habitada na Lua.

Entre os experimentos realizados estão avaliações da visão, do sistema cardiovascular, do estresse e da capacidade de executar tarefas complexas após longos períodos de isolamento.

A estação também abriga estudos sobre radiação, embora as condições antárticas não reproduzam o ambiente de radiação encontrado na superfície lunar.

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