Ciência

Como as uvas podem 'reprogramar' a proteção natural da pele

Estudo observou mudanças genéticas ligadas à defesa da pele após exposição solar

Uvas: estudo sugere que consumo diário pode fortalecer a proteção natural da pele contra danos solares (Getty Images)

Uvas: estudo sugere que consumo diário pode fortalecer a proteção natural da pele contra danos solares (Getty Images)

Publicado em 23 de maio de 2026 às 05h34.

Além dos benefícios já conhecidos para a saúde, as uvas podem ajudar a fortalecer as defesas naturais da pele contra os danos causados pelo sol. Um novo estudo identificou mudanças genéticas associadas à proteção cutânea após apenas duas semanas de consumo regular da fruta.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Western New England University e da Oregon State University. Os resultados foram publicados na revista científica ACS Nutrition Science.

O efeito inesperado das uvas na pele

No estudo, voluntários consumiram o equivalente a três porções de uvas por dia durante duas semanas. Depois, os pesquisadores analisaram a resposta da pele antes e após exposição a pequenas doses de radiação ultravioleta (UV).

Segundo os cientistas, o consumo da fruta alterou a expressão genética ligada à proteção da pele. Os efeitos apareceram de forma consistente entre os participantes, embora cada organismo tenha apresentado respostas biológicas diferentes.

A equipe também observou redução nos níveis de malondialdeído, substância associada ao estresse oxidativo provocado pela exposição solar.

Como as uvas ativaram proteção natural da pele

A análise identificou aumento de processos biológicos relacionados à queratinização e à cornificação, mecanismos responsáveis pela formação da barreira protetora externa da pele.

Esses processos ajudam o organismo a reduzir danos provocados por fatores externos, como radiação UV e poluição. Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que as uvas podem atuar na proteção celular em nível genético.

O pesquisador John Pezzuto afirmou que o estudo reforça o potencial das uvas como um “superalimento”. Segundo ele, os efeitos observados na pele indicam que o consumo da fruta também pode influenciar outros órgãos do corpo, incluindo cérebro, fígado, rins e músculos.

Os pesquisadores afirmam que as alterações observadas fazem parte de respostas nutrigenômicas — mudanças na atividade genética influenciadas pela alimentação.

De acordo com o estudo, pesquisas anteriores já haviam mostrado que o consumo de uvas poderia aumentar a resistência da pele à radiação UV em parte dos participantes.

O novo trabalho aprofunda essa relação ao identificar alterações genéticas associadas à resposta do organismo contra danos solares.

Apesar dos resultados promissores, os autores destacam, porém, que ainda são necessários novos estudos para compreender os efeitos de longo prazo e confirmar os impactos em diferentes grupos populacionais.

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