Ciência

Como a Nasa está mudando seus planos para voltar à Lua

Estratégia prioriza presença contínua na superfície lunar, com missões frequentes e avanço na corrida espacial

Nasa: agência dos EUA muda estratégia e quer garantir presença humana permanente na superfície lunar (Paul Hennesy/Anadolu/Getty Images)

Nasa: agência dos EUA muda estratégia e quer garantir presença humana permanente na superfície lunar (Paul Hennesy/Anadolu/Getty Images)

Publicado em 25 de março de 2026 às 20h31.

A Nasa avalia suspender o projeto da estação lunar Gateway e direcionar seus esforços para a construção de uma base na superfície da Lua. A mudança faz parte da reformulação do programa Artemis, que busca estabelecer presença humana contínua no satélite natural.

De acordo com a AFP, o chefe da agência, Jared Isaacman, afirmou em comunicado que a estratégia envolve “mudar o foco para uma infraestrutura que permita operações sustentadas na superfície lunar”.

O objetivo é concentrar recursos em uma infraestrutura capaz de sustentar operações permanentes diretamente na superfície, reduzindo a dependência de estruturas em órbita. A decisão integra um conjunto de iniciativas apresentadas pela agência para acelerar o retorno à Lua e fortalecer a liderança dos Estados Unidos na exploração espacial.

A nova abordagem substitui o modelo de missões isoladas por uma estratégia contínua, baseada em pousos frequentes e expansão gradual das operações. A expectativa é aumentar o ritmo das missões, com possibilidade de pousos regulares à medida que as capacidades tecnológicas evoluam.

Base lunar será construída em fases

O plano prevê a criação de uma base lunar permanente em três etapas.

A primeira fase será dedicada a testes e envio de missões robóticas, com foco em tecnologia, mobilidade e geração de energia. Na segunda etapa, a agência deve implantar uma infraestrutura inicial que permita operações tripuladas recorrentes, com apoio de parceiros internacionais.

Já a fase final prevê uma estrutura capaz de sustentar presença humana de longa duração, com habitats, logística contínua e sistemas de suporte avançados.

Gateway perde prioridade

Dentro dessa reestruturação, o Gateway — estação planejada para orbitar a Lua — pode ser pausado em seu formato atual. Parte dos equipamentos já desenvolvidos poderá ser reaproveitada, mas o foco passa a ser a superfície lunar.

O projeto contava com participação de parceiros internacionais, como a Agência Espacial Europeia, e vinha sendo questionado por seu custo e complexidade. A reformulação também inclui ajustes no cronograma do programa Artemis. A missão Artemis III, prevista para 2027, deve priorizar testes de sistemas antes de um pouso completo na Lua, segundo a AFP.

Nos anos seguintes, a agência pretende ampliar o uso de tecnologias reutilizáveis e soluções comerciais para aumentar a frequência das missões e reduzir custos.

Corrida espacial influencia decisão

A mudança de estratégia ocorre em um contexto de crescente competição internacional no setor espacial.

A Nasa avalia que o avanço na exploração lunar precisa ocorrer em ritmo mais acelerado, com resultados medidos em meses e não mais em décadas. O plano reforça a Lua como etapa essencial para futuras missões a Marte e para a expansão da presença humana no espaço.

Além da exploração tripulada, a nova estratégia amplia o uso da superfície lunar como plataforma científica. A agência planeja enviar dezenas de missões robóticas nos próximos anos, com participação de universidades, empresas e parceiros internacionais.

Essas operações devem impulsionar pesquisas em áreas como energia, comunicação, navegação e exploração do espaço profundo.

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