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Energias renováveis atraem R$ 36,3 bilhões em financiamento em 2025 e eólica ganha protagonismo

Levantamento da CELA mostra que o volume financiado cresceu 10,6% em relação a 2024, mas ainda permanece 22% abaixo do pico histórico registrado em 2022

Eólica foi o destaque dos financiamentos em renováveis em 2025, com crescimento de 40% em relação ao ano anterior (Mimadeo/Getty Images)

Eólica foi o destaque dos financiamentos em renováveis em 2025, com crescimento de 40% em relação ao ano anterior (Mimadeo/Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 16 de junho de 2026 às 13h00.

Última atualização em 16 de junho de 2026 às 13h07.

Depois de uma década marcada pela expansão acelerada da energia solar, a transição energética brasileira começa a entrar em uma nova fase.

A necessidade de equilibrar um sistema com alta participação de fontes renováveis, reduzir os impactos dos cortes de geração e garantir maior flexibilidade e estabilidade já influencia o destino dos investimentos.

Em 2025, os financiamentos para projetos renováveis cresceram 10,6% e atingiram R$ 36,3 bilhões, segundo levantamento da consultoria Clean Energy Latin America (CELA).

Apesar da recuperação em relação a 2024, o volume ainda está 22% abaixo do pico histórico de R$ 46,3 bilhões registrado em 2022.

Para Camila Ramos, CEO da CELA, os números mostram que o setor renovável brasileiro atravessa um período de adaptação às novas necessidades do sistema elétrico.

"Os desafios são reais: juros altos, curtailment sem mecanismo de ressarcimento e um mercado que ainda busca os instrumentos adequados para precificar e contratar a complementaridade entre fontes", afirma.

Por outro lado, os dados mostram uma mudança importante na composição dos recursos: enquanto a geração solar centralizada enfrenta dificuldades provocadas por juros elevados, modulação e cortes de geração, a energia eólica ganha protagonismo por sua capacidade de complementar a produção solar e atender às necessidades do mercado livre de energia.

++ Leia mais: As dez maiores usinas de energia solar do mundo — e quantas são brasileiras

A energia eólica recebeu R$ 12,5 bilhões em financiamentos no ano passado, alta de 40% em relação ao ano anterior e uma recuperação após o mínimo histórico registrado em 2024.

Para a consultoria, o crescimento reflete uma mudança estrutural no setor elétrico. À medida que a expansão da solar aumenta a oferta de eletricidade durante o dia e pressiona os preços nesse período, comercializadoras, geradores e grandes consumidores passaram a buscar fontes capazes de entregar energia de forma mais equilibrada ao longo das 24 horas.

Nesse contexto, a complementaridade da geração eólica ganhou valor. Com perfil de produção mais distribuído e maior geração em períodos de baixa irradiação do sol, a fonte passou a desempenhar papel estratégico na composição de contratos do mercado livre, impulsionando novos projetos e financiamentos.

Já a geração solar centralizada continuou enfrentando desafios. O volume financiado caiu de R$ 15,1 bilhões em 2022 para R$ 9 bilhões em 2025.

Além dos juros elevados dos últimos anos, o segmento tem sido impactado pela chamada "modulação dos preços de energia e pelo curtailment", os cortes obrigatórios de geração determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para preservar a segurança da rede.

Entre abril de 2024 e março de 2025, o estudo revelou que as usinas afetadas sofreram cortes médios de 17,1% da energia que poderiam produzir.

A ausência de mecanismos de ressarcimento para essas interrupções tem aumentado a percepção de risco de investidores e instituições financeiras, dificultando a viabilização de novos empreendimentos.

A geração distribuída solar, por outro lado, se manteve relativamente resiliente. Os financiamentos ficaram entre R$ 13 bilhões e R$ 14,7 bilhões nos últimos três anos, patamar inferior ao pico de R$ 21,8 bilhões observado em 2022, mas ainda superior ao da geração solar centralizada.

De acordo com a CELA, a modalidade continua beneficiada pela proximidade entre geração e consumo, o que reduz os impactos das mudanças regulatórias sobre a rentabilidade dos projetos.

Baterias são nova fronteira de investimentos

O estudo também aponta crescimento do armazenamento de energia, embora os números ainda não reflitam totalmente a expansão da tecnologia.

Os financiamentos para sistemas de baterias (BESS) somaram R$ 126 milhões em 2025. Parte relevante dos projetos é contratada em conjunto com sistemas fotovoltaicos e acaba contabilizada dentro das operações de financiamento solar, o que tende a subestimar a participação do segmento.

A expectativa do mercado é que os primeiros leilões dedicados exclusivamente ao armazenamento, confirmados para dezembro de 2026, acelerem a adoção da tecnologia e aumentem os volumes de financiamento nos próximos anos.

Segundo a CEO, a importância cada vez mais relevante da energia eólica e do armazenamento reflete justamente a busca por soluções capazes de equilibrar a expansão das renováveis e garantir maior eficiência operacional ao sistema elétrico brasileiro.

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