Lua: estudo aponta acúmulo de gelo em crateras antigas (NASA/Divulgação)
Redatora
Publicado em 9 de abril de 2026 às 06h06.
O gelo na Lua se acumulou ao longo de bilhões de anos e não surgiu de um único evento isolado. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Nature Astronomy nesta semana.
A análise mostrou que crateras mais antigas, sobretudo no polo sul lunar, concentram maiores quantidades de água congelada. O resultado ajuda a explicar a distribuição irregular do gelo na superfície.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas cruzaram dados de temperatura da superfície com simulações da evolução das crateras. Os resultados indicam que regiões que permanecem em sombra por mais tempo acumulam mais gelo.
Essas áreas, conhecidas como "armadilhas frias", não recebem luz solar e mantêm temperaturas extremamente baixas, o que favorece a preservação da água congelada.
Segundo o cientista da Universidade do Colorado, Paul Hayne, crateras mais antigas podem ter acumulado gelo por até 3,5 bilhões de anos.
O estudo também indica que a água lunar pode ter diferentes origens ao longo do tempo. Entre as possibilidades estão atividade vulcânica antiga, impactos de cometas e asteroides e interação com o vento solar.
Nesse processo, partículas de hidrogênio vindas do Sol podem reagir com o oxigênio presente na superfície lunar, formando moléculas de água.
Os principais fatores que determinam o acúmulo de gelo na Lua incluem:
Essas características ajudam a explicar por que algumas regiões concentram mais água congelada na superfície lunar.
A presença de água congelada tem impacto direto na exploração espacial. O material pode ser utilizado para consumo humano, produção de oxigênio e geração de combustível.
Os dados também ajudam a identificar áreas prioritárias para futuras missões. A cratera Haworth, no polo sul, aparece como uma das regiões com maior potencial de concentração de gelo.
Apesar dos avanços, a origem exata da água ainda não foi totalmente determinada. Segundo o pesquisador Oded Aharonson, a confirmação depende da análise direta de amostras coletadas nessas regiões.
Novos instrumentos devem ser enviados à Lua a partir de 2027 para mapear com mais precisão a distribuição do gelo. A resposta definitiva pode depender de missões que tragam material lunar de volta à Terra.