Imagem da caverna na Nova Zelândia (Paul Scofield/Museu de Canterbury)
Redatora
Publicado em 27 de março de 2026 às 12h10.
Uma caverna na Nova Zelândia revelou fósseis com cerca de 1 milhão de anos e trouxe novos dados sobre a evolução da fauna local. O material indica que mudanças climáticas e erupções vulcânicas já provocavam extinções e substituição de espécies muito antes da presença humana.
A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Flinders e publicada na revista científica Alcheringa: An Australasian Journal of Palaeontology. A equipe analisou restos de 16 espécies, incluindo aves e anfíbios preservados em uma caverna na região de Waitomo, na Ilha Norte.
Os cientistas identificaram fósseis de 12 espécies de aves e quatro de rãs. O conjunto oferece um panorama de como era a biodiversidade local naquele período.
Segundo o pesquisador Trevor Worthy, autor da pesquisa, o material representa uma fauna diferente da encontrada posteriormente no país, indicando mudanças ao longo do tempo.
A análise sugere que entre 33% e 50% das espécies desapareceram antes da chegada dos humanos.
Os dados indicam que erupções vulcânicas e variações climáticas tiveram papel central na transformação dos ecossistemas.
De acordo com o pesquisador Paul Scofield, esses eventos provocaram alterações rápidas no ambiente, levando à extinção de espécies e ao surgimento de outras. As evidências mostram que esse processo ocorreu repetidamente ao longo de milhares de anos.
Entre os fósseis, os pesquisadores identificaram uma nova espécie de papagaio, chamada Strigops insulaborealis, considerada um ancestral do kākāpō.
Diferente da ave atual, conhecida por não voar, esse ancestral pode ter tido capacidade de voo. A hipótese se baseia em características ósseas que indicam menor adaptação à locomoção terrestre.
A caverna também revelou fósseis de um ancestral do takahē e de uma espécie extinta de pombo.
A idade dos fósseis foi determinada com base em camadas de cinzas vulcânicas encontradas no local.
Uma camada está associada a uma erupção ocorrida há cerca de 1,55 milhão de anos, enquanto outra corresponde a um evento de aproximadamente 1 milhão de anos. Essas formações permitiram estabelecer um intervalo temporal preciso para os restos encontrados.