Cachalotes: robô subaquático permite acompanhar comunicação dos animais em tempo real (Getty Images)
Redatora
Publicado em 5 de maio de 2026 às 05h25.
Cientistas deram um novo passo para entender a comunicação de baleias ao desenvolver um robô subaquático capaz de rastrear, em tempo real, as vocalizações de cachalotes. A tecnologia permite acompanhar os animais por longos períodos no oceano, algo que antes era limitado por métodos tradicionais.
O sistema foi criado por pesquisadores do Projeto Ceti e utiliza um planador autônomo equipado com sensores acústicos para identificar e seguir os sons emitidos pelas baleias nas profundezas. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports.
O equipamento funciona como um planador submarino que se desloca ajustando sua flutuabilidade — tornando-se mais pesado para descer e mais leve para subir. Durante esse movimento, o robô coleta dados e monitora o ambiente ao redor. A inteligência artificial é equipada com hidrofones, dispositivos capazes de captar sons subaquáticos.
Ao detectar os cliques característicos dos cachalotes, o sistema calcula a direção do som e ajusta automaticamente sua rota para seguir o animal. Segundo o estudo, o principal diferencial é a capacidade de tomar decisões ainda debaixo d’água, sem depender de análise posterior.
Os cachalotes utilizam sequências de cliques, conhecidas como “codas”, para se comunicar. Esses sons podem viajar por quilômetros e são essenciais para a vida social da espécie.
Apesar de estudados desde a década de 1950, esses animais ainda representam um desafio para a ciência. Eles mergulham a mais de 1.600 metros e podem permanecer submersos por cerca de 50 minutos, o que dificulta o monitoramento contínuo.
A principal inovação do sistema é a possibilidade de acompanhar a mesma baleia — ou grupo — por períodos prolongados, potencialmente por semanas ou até meses.
Antes, os métodos disponíveis permitiam apenas registros pontuais, com sensores fixos ou etiquetas temporárias que se desprendiam após poucos dias. Com o novo robô, os cientistas conseguem observar comportamentos ao longo do tempo, como interações sociais, coordenação e respostas ao ambiente.
O monitoramento contínuo pode ajudar a entender como filhotes aprendem a se comunicar, especialmente nas interações entre mães e crias.
Além disso, os dados permitem avaliar o impacto de atividades humanas — como navegação, pesca e exploração marítima — sobre o comportamento das baleias. Essas informações podem embasar decisões mais precisas, como limitar a velocidade de navios ou ajustar rotas em áreas sensíveis.
Apesar dos avanços, ainda há desafios. O robô consegue identificar a direção do som, mas não a localização exata da baleia, o que dificulta distinguir indivíduos. Outro ponto é que o equipamento precisa emergir periodicamente para enviar e receber dados, o que reduz a continuidade do monitoramento.
Mesmo assim, os pesquisadores consideram que a tecnologia representa uma mudança significativa na forma de estudar a vida marinha.