Estudos analisam efeitos da água gelada na digestão, na hidratação e em condições como refluxo e enxaqueca (Sanja Gjenero / Stock Xchng)
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Publicado em 2 de março de 2026 às 13h35.
Última atualização em 3 de março de 2026 às 17h25.
Em dias mais quentes, a água gelada costuma ser a principal escolha para aliviar o calor e manter a hidratação. Apesar disso, surgem dúvidas sobre possíveis impactos na digestão, na absorção de nutrientes e no funcionamento do organismo. Para especialistas ouvidos pela revista Popular Science, a temperatura do líquido não traz malefícios à saúde, mas pode desencadear desconfortos em pessoas com condições específicas.
A explicação é de que o organismo tem capacidade de lidar com variações de temperatura dos líquidos ingeridos. Os efeitos do frio, quando ocorrem, tendem a ser passageiros e não alteram de forma significativa o funcionamento do sistema digestivo.
Diane Lindsay-Adler, nutricionista e professora assistente de pediatria no New York Medical College, afirmou à revista que bebidas geladas ganharam uma reputação negativa injusta. Para ela, não há motivo para evitar água fria com receio de prejuízo à digestão ou à absorção.
O médico Samuel Choudhury também destacou que eventuais efeitos relacionados à temperatura são temporários. A ingestão de água gelada não altera de forma permanente o funcionamento do organismo.
Embora segura para a maioria das pessoas, a água gelada pode provocar desconforto em indivíduos com condições específicas. Natasha Bhuyan, médica de família no Arizona, explica que os riscos variam conforme o perfil clínico.
Entre os casos que exigem atenção estão:
Um estudo publicado em 2012 na revista Journal of Neurogastroenterology and Motility indicou que líquidos gelados podem provocar dor torácica, dificuldade para engolir e regurgitação em pacientes com acalasia. Pesquisa anterior, de 1978, observou redução temporária na eliminação de muco em pessoas resfriadas após consumo de bebidas frias.
Em contextos de calor intenso ou durante exercícios físicos prolongados, bebidas geladas podem auxiliar na redução da temperatura corporal. Allison Miner, professora assistente de nutrição e estudos alimentares da Universidade George Mason, destaca que atletas e pessoas expostas a altas temperaturas podem se beneficiar do consumo de líquidos frios para melhorar o controle térmico.
A hidratação adequada é essencial para prevenir exaustão pelo calor, condição associada a tontura, sudorese intensa e aumento da frequência cardíaca. Caso a água gelada estimule maior ingestão de líquidos em dias quentes, o hábito pode contribuir para manter o equilíbrio hídrico.
Para Lindsay-Adler, não existe superioridade metabólica entre água gelada, fria ou em temperatura ambiente. A escolha deve considerar preferência individual, conforto e eventuais condições clínicas.
A nutricionista ressalta que o fator mais importante é manter ingestão adequada de líquidos ao longo do dia. A temperatura da água exerce papel secundário diante da necessidade de hidratação regular.