Composto passa também por avaliação da CMED e Conitec A An (manusapon kasosod/Getty Images)
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 13h50.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira, 12, o uso do lenacapavir no combate ao HIV no Brasil. Antes de ser utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), o composto ainda precisa ser avaliado por outras autoridades.
O tratamento é composto por duas doses iniciais em comprimidos e injeção, aplicados com intervalo de dois dias. Após a primeira etapa, o medicamento é reaplicado semestralmente.
Com a liberação da Anvisa, o fármaco precisa do parecer de outros dois órgãos.
A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) é responsável por definir o preço máximo do lenacapavir.
Em paralelo, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisa o custo-benefício e impacto da implementação no orçamento público.
O lenacapavir é um inibidor do capsídeo e funciona como uma cápsula que interfere no processo de reprodução do vírus. Ele afeta o tempo de abertura e prejudica o RNA viral.
O tratamento é diferente dos outros, que focavam em bloquear a integração do DNA viral com as células do paciente.
Um dos desafios enfrentados pelos protocolos anteriores era evitar que o contato com o vírus provocasse mutações que tornassem o patógeno resistente aos medicamentos.
A Anvisa divulgou que o medicamento conseguiu 100% de eficácia na redução de incidência do HIV-1 em mulheres cis gênero.
O fármaco também obteve 96% de sucesso em comparação à incidência do HIV de base — que é a taxa de infecção antes de uma intervenção.
O desempenho também foi 89% superior à PrEP oral diária que está disponível no SUS desde 2018.
O vírus do HIV possui dois grupos, o HIV-1 e o HIV-2. O primeiro é o mais comum no Brasil e representa também 90% das contaminações do mundo. Sua transmissão rápida é o principal foco das estratégias de saúde pública.
O HIV-2 é mais lento e menos incidente. Ele é responsável por cerca de 2 milhões de infecções no mundo.
A profilaxia pré-exposição (PrEP) é uma rotina de tratamento, geralmente diária, utilizada para evitar que os pacientes contraiam o vírus.
O protocolo é disponibilizado pelo SUS com base nos medicamentos tenofovir, disoproxil e emtricitabina.
O professor de clínica médica e medicina laboratorial da Universidade Federal de São Paulo, Klinger Soares Faíco Filho, explica que outra vantagem do lenacapavir em relação aos tratamentos tradicionais usados na PrEP é a sua forma de aplicação.
O tempo de espera entre as doses pode facilitar a distribuição em cidades e centros urbanos com alta rotatividade e ampliar proteção em pessoas que pertencem a grupos de risco, como moradores em situação de rua.
Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde informou que aguarda a análise da CMED para dar continuidade ao processo com a Conitec. Após as duas avaliações, o fármaco poderá ser distribuído no SUS.
Em meio a boas perspectivas para o tratamento, o custo pode ser um problema.
A farmacêutica Gilead informou ao jornal americano The New York Times que o valor da PrEP com lenacapavir possa ser de US$ 28.218 por pessoa ao ano nos Estados Unidos.
Na conversão brasileira, o valor seria de R$ 151.688 (por ano).
Se o preço final for incompatível com o orçamento do SUS, o medicamento pode não ser incorporado às opções de tratamento contra o HIV no sistema público.