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'Godzilla' e 'Super El Niño': o fenômeno que deve chegar ao Brasil e no agro

Fenômeno climático deve ganhar força até 2027 e elevar riscos para o agro e a inflação

Vista aérea de um incêndio em Corumbá, Mato Grosso do Sul, em 26 de junho de 2024
incêndio queimada fumaça Brasil Emissões de CO2 efeito estufa El Niño calor seca (AFP Photo)

Vista aérea de um incêndio em Corumbá, Mato Grosso do Sul, em 26 de junho de 2024 incêndio queimada fumaça Brasil Emissões de CO2 efeito estufa El Niño calor seca (AFP Photo)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 23 de abril de 2026 às 11h29.

A chegada do fenômeno climático El Niño volta a preocupar o agronegócio e acende um alerta entre cientistas e autoridades internacionais, diante de novas análises que apontam impactos mais intensos e acelerados do que o inicialmente previsto — cenário já apelidado por meteorologistas de “El Niño Godzilla” ou "Super El Niño" com base em estudos de agências como a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e a Nasa.

Dados da NOAA mostram que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial deixaram de apresentar o padrão de resfriamento típico da La Niña e começaram a se elevar. Em algumas regiões, especialmente no leste do oceano, já há registro de temperaturas acima da média histórica.

O aquecimento gradual das águas do Pacífico é um dos principais sinais da formação do El Niño. Segundo o relatório, "esse movimento ganhou força ao longo de 2026, com o enfraquecimento das águas frias observado desde janeiro e o avanço de áreas mais quentes em direção ao centro do oceano".

O fenômeno é caracterizado como uma versão extremamente intensa do El Niño tradicional, associada ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, e deve atingir seu pico entre o fim de 2026 e o início de 2027.

Embora a formação do El Niño seja considerada provável, a intensidade do fenômeno ainda é incerta. As projeções indicam chances semelhantes de um evento moderado, forte ou até muito forte até o final de 2026.

Historicamente, o fenômeno provoca alterações significativas nos padrões climáticos globais, com efeitos como secas em algumas regiões e chuvas intensas em outras. Esses impactos têm reflexos diretos na produção agrícola, na oferta de alimentos e, consequentemente, na inflação.

No Brasil, por exemplo, episódios de El Niño costumam trazer excesso de chuvas no Sul e períodos mais secos no Norte e Nordeste, afetando safras e a logística agrícola.

Caso se confirme, o fenômeno pode afetar negativamente tanto a reta final da safra atual quanto o início da safra agrícola 2026/27, que começa oficialmente em 1º de julho. O impacto pode variar de quebra de safras à pressão sobre os preços dos alimentos — em pleno ano eleitoral.

No Brasil, por ser um país continental, os efeitos não são uniformes. “Podemos ter chuvas mais intensas, já que os extremos climáticos tendem a se acentuar”, afirma Bárbara Sentelhas, CEO da Agrymet.

No Sul do país, aponta Sentelhas, o El Niño costuma trazer volumes maiores de chuva, o que pode provocar inundações, erosão do solo, aumento de doenças nas lavouras e até perda de produtividade, em decorrência da maior incidência de pragas e do excesso de água.

No Nordeste, por outro lado, o fenômeno tende a reduzir as chuvas e a provocar seca, degradação de pastagens e queda na disponibilidade de água para irrigação, afetando culturas como feijão e milho.

No Centro-Oeste, o impacto direto costuma ser menor, embora as temperaturas mais elevadas possam intensificar períodos secos e aumentar o risco de incêndios.

El Niño no Brasil

Segundo o meteorologista Willians Bini, diretor da Metos, os modelos mostram que o Pacífico já apresenta uma tendência de aquecimento, mas o fenômeno ainda está em formação.

“Mesmo quando existe um padrão histórico, os efeitos não se repetem exatamente da mesma forma a cada evento. É preciso cautela ao interpretar os impactos do fenômeno”, diz.

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