Neve: flocos de gelo dispersam a luz solar e criam o efeito branco observado na neve (Johner Images/Getty Images)
Redatora
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 08h00.
A neve não é realmente branca. Apesar da aparência brilhante, o fenômeno ocorre por causa da forma como a luz solar interage com os cristais de gelo que compõem os flocos, disseram especialistas à revista científica Popular Science. Essa estrutura cristalina faz o olhar humano perceber o branco, embora água e gelo sejam transparentes.
A precipitação se forma em estado sólido nas camadas altas da atmosfera. Quando o ar mais quente derrete os cristais durante a queda, o fenômeno se converte em chuva. Para que a neve chegue ao solo, a atmosfera precisa permanecer fria da nuvem até o chão, segundo meteorologistas ouvidos pela reportagem.
O ar contém partículas microscópicas de poeira, fuligem e pólen. Um floco de neve surge quando uma gota de água congelada adere a uma dessas partículas. À medida que cai, vapor de água se acumula e congela em torno do núcleo.
Segundo Jonathan Belles , meteorologista sênior do aplicativo The Weather Channel, a geometria molecular da água favorece a formação hexagonal, gerando flocos com seis pontas. Cada floco possui faces irregulares capazes de refletir luz em diferentes direções.
A luz solar reúne todas as cores do espectro visível. Ao atingir os flocos, os cristais dispersam e refletem o brilho de forma uniforme. Como o olho humano percebe a soma das cores como branco, o manto de neve aparenta essa tonalidade, explicou Mark Serreze, diretor do National Snow and Ice Data Center (NSIDC), instituição especializada em criosfera nos Estados Unidos.
A diferença entre o gelo transparente e a neve branca está na forma como a luz atravessa a matéria. Cubos de gelo permitem maior passagem de luz, enquanto os flocos refletem em múltiplas direções devido às irregularidades da superfície.
A composição da neve altera sua coloração. Partículas minerais podem imprimir tons amarelados ou marrons. Algas e bactérias também podem modificar o aspecto visual.
Pesquisas em ecologia polar e microbiologia descrevem a “neve melancia”, observada em regiões de altitude, causada pela alga Chlamydomonas nivalis, que utiliza pigmentos para proteger a clorofila da radiação ultravioleta.
Geleiras podem apresentar tonalidade azul. Esse efeito ocorre quando o gelo compacto absorve comprimentos de onda mais longos, como o vermelho, e dispersa o azul, conforme estudos citados pelo NSIDC.
Condições atmosféricas modificam a percepção da neve. Nuvens baixas espalham luz de forma uniforme e podem causar o efeito conhecido como “visibilidade branca”, no qual céu e solo parecem contínuos.
A neve também reflete radiação ultravioleta. O reflexo intenso pode causar lesões oculares e queimaduras de pele em ambientes gelados, apontou Belles.
Dessa forma, ao observar um campo nevado, o que se vê é a soma das cores do espectro refletida pelos flocos. O branco é apenas a percepção visual desse conjunto de interações ópticas.