Volvo ES90: agora quem dá o tom do paladar é a China (Volvo/Divulgação)
Colunista
Publicado em 30 de agosto de 2026 às 10h02.
O Volvo ES90 – lançado nesta quinta-feira, 27, por R$ R$ 659.950 — talvez seja atualmente o símbolo mais sofisticado da influência chinesa sobre uma marca tradicional.
Mesmo depois de ser comprada pela Geely, há exatos dezesseis anos, a Volvo seguiu produzindo carros com sabor da Suécia. Contudo, na renovação de produtos em curso, percebe-se que agora quem dá o tom do paladar é a China.
A primeira influência oriental vem do desenho externo, que oscila entre o de um sedã e o de um cupê de quatro portas. Seja lá o que o ES90 for, vem de categorias ainda importantes para o mercado chinês – sobretudo a de sedãs, para essa região do mundo ainda hoje o maior símbolo de status automotivo.
Em relação ao (elegantíssimo) antecessor S90, o ES90 parece realmente uma invenção futurista, não apenas pela cintura reta e pelas superfícies mais sisudas, mas principalmente pelo conjunto ótico que reinterpreta a última identidade visual da marca sueca para a era da eletrificação.
Às vezes chega a ser imponente demais para atividades cotidianas, como ir ao mercado, à escola ou à missa; mas, em todas as outras, ostenta-se bom gosto, abundância e exclusividade – a Volvo calcula vender cerca de 100 exemplares do ES90 até o fim do ano.

Tirando o jeito diferente que a Volvo (ou a Geely) inventou para acessá-la, a cabine do ES90 é ótima e promete ser referência em isolamento acústico, acabamento, espaço e tranquilidade.
Felizmente mantiveram intacta a excelência dos bancos, o que nos leva a uma posição de dirigir impecável. Os demais ocupantes também são bem tratados: o da frente com massagem e os de trás com banco de encosto reclinável.
Mas, para acessar o interior, é preciso escolher entre dois caminhos que, para a Volvo, são mais simples do que apertar um botão na chave.
Um modo é encostando um cartão na maçaneta da porta do motorista, o que em nenhuma situação foi mais fácil do que o modo atual. O outro é baixando o aplicativo da marca no celular e criar um perfil acoplado ao veículo, bastando, depois de tudo isso, aproximar-se do carro para abrir as portas. A Volvo garante que funciona mesmo com o celular sem bateria.
Outra pegada chinesa está na concentração de quase tudo na central multimídia vertical, de 14,5 polegadas. Dos controles do sistema de climatização – de quatro zonas e com um purificador de ar capaz de impedir a entrada de até 95% das partículas PM 2,5 e remover 99,9% dos alérgenos provenientes do ambiente externo – à abertura do porta-luvas, passando pela transparência do teto panorâmico, tudo é operado ali.
Incomoda na hora de ajustar os retrovisores ou a coluna de direção, mas encanta quando fuçamos no sistema de som da Bowers & Wilkins, que tem equalização inspirada na sonoridade do lendário estúdio Abbey Road, em Londres.
Quanto às dimensões e capacidades, o porta-malas de 424 litros é bom, mas não impressiona como o entre-eixos de 3,10 m. Com 5 metros de comprimento e 1,94 m de largura, o ES90 ainda tem um compartimento frontal de 22 litros.
Com um coeficiente aerodinâmico de 0,25, o menor de um Volvo produzido em série, o ES90 praticamente abriu mão de oferecer visibilidade traseira. Nas manobras, melhor recorrer logo à ótima nitidez da câmera de ré.

O ES90 é construído sobre a arquitetura SPA2 da Volvo Cars, mas o fato de ser o primeiro Volvo equipado com NVIDIA DRIVE AGX Orin, uma plataforma de computação de alto desempenho definida por software, diz mais sobre o que definirá os carros do século 21.
Amparado por um sistema de 800 volts, o ES90 traz bateria de 106 kWh e dois motores elétricos, que somam 689 cv e 88,7 kgfm de torque. No uso, essa força se traduz em acelerações violentas acompanhadas do rodar suave tipo dos elétricos, aqui amplificado pela suspensão pneumática de duas câmaras.
De acordo com a Volvo, o ES90 pode recuperar 300 quilômetros de autonomia em apenas 10 minutos em estações de carregamento rápido de 350 kW e oferece uma autonomia total de 524 km nos padrões do Inmetro.