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Vinhos rosés para além do verão: a visão da Minuty para o Brasil

Há 90 anos, a Château Minuty, próxima a Saint-Tropez, no coração da Provence, produz vinhos rosés que se integraram ao portfólio da LVMH em 2023

Minuty: empresa foi adquirida pela LVMH em 2023 (Minuty/Divulgação)

Minuty: empresa foi adquirida pela LVMH em 2023 (Minuty/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 15h52.

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Com diversas regiões produtoras de vinhos, a França não quer ser reconhecida apenas por seus tintos e champanhes. Há 90 anos, a Château Minuty, próxima a Saint-Tropez, no coração da Provence, produz vinhos rosés que se integraram ao portfólio da LVMH em 2023.

No ano passado, a marca iniciou sua distribuição no Brasil, registrando boa receptividade do público e desempenho comercial positivo desde então. Como parte da estratégia de expansão e acompanhamento do mercado local, a LVMH trouxe no final de janeiro ao país o Diretor Global de Estratégia e Exportação, Sébastien Nore. Com mais de nove anos na Château Minuty, Nore assumiu sua posição global em 2022, após atuar no desenvolvimento internacional da marca.

Com uso principalmente de uvas grenache e syrah, os principais rótulos da vinícola estão Minuty M (R$ 160), Minuty Rosé et Or (R$ 210), Château Minuty 281 (R$ 360) e Minuty Prestige Rosé (R$ 560), este último com notas de flores, damasco e pêssego amarelo, toques cítricos e final sutilmente salino.

Em entrevista a Casual EXAME, Nore conta os planos da Minuty para o mercado brasileiro e as tendências no mercado de vinhos.

Vinho rosé: Minuty M (R$ 160) usa 70% de uvas grenache (Minuty/Divulgação)

Você não vem ao Brasil há 10 anos. Que diferenças vê no mercado após uma década?

Cheguei ontem, mas o que vejo, pelos números para nós, é que Provence está crescendo. E isso não me surpreende, porque o Minuty é de Saint-Tropez. Vemos cada vez mais brasileiros em Saint-Tropez. Eles são uma das nacionalidades que mais nos visitam, tanto em Saint-Tropez quanto na Riviera Francesa. Então, sim, existe hoje uma grande conexão entre Provence e o povo brasileiro.

O vinho rosé ainda é algo muito associado ao verão?

Sim. Quando você começa em um mercado ainda não maduro, ele é um vinho de verão. Foi assim há 30 anos na França. Agora [o verão] dura 10 meses por ano. Na França e também no Reino Unido.

Como as pessoas costumam consumir os vinhos rosé? A bebida está presente em restaurantes?

As pessoas costumavam beber rosé do lado de fora, perto da água, ou em lugares como este aqui [no Parque Ibirapuera]. Você precisa estar conectado à natureza. Você não bebe rosé em um restaurante fechado, escuro. O rosé é uma construção do dia. É uma construção social, um estilo de vida.

Os vinhos brancos e rosés às vezes são consumidos com gelo. Esta é uma prática comum, e recomendada na França?

Sim, especialmente em Saint-Tropez. Porque você precisa beber gelado. A temperatura da taça sobe 1 grau a cada 5 minutos quando faz 30 graus. Então, se colocamos gelo, mantemos o vinho frio até o fim da taça. Muitos sommeliers não gostam disso, mas preferimos assim, porque rosé quente não é bom.

Existe uma estratégia diferente de marketing para o Brasil?

Não. Queremos ser uma marca internacional. Por enquanto, não adaptamos a estratégia, porque funciona em todos os lugares.

Há alguma exceção de mercado?

Talvez com exceção da Ásia. Porque o consumidor asiático não conhece os vinhos rosé. Porque eles não vão para a França. Eles não conhecem a cultura francesa. E eles não gostam muito do mar, do sol… então é difícil, porque isso é o que nós somos.

Como foi o lançamento no Brasil?

Lançamos oficialmente a marca em agosto. No início de agosto, começamos a vender as primeiras garrafas diretamente, e isso superou todas as expectativas. Em cinco meses, atingimos a meta que tínhamos para um ano inteiro.

Quem é o consumidor principal de Minuty?

A geração jovem. Somos autênticos, mas não tradicionais. Nossos melhores clientes são os lugares mais modernos. O que faz nossa marca ter sucesso é nossa distribuição. Nosso foco é estar nos lugares mais desejados.

No Brasil existe preconceito com a categoria?

Sim, porque muita gente conhece rosés portugueses muito doces. Quando descobrem um rosé de Provence, entendem que existe outro estilo.

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