Vinhos de verão: veja quais tomar na praia (Westend61/Getty Images)
Especialista em vinhos
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 09h27.
O calor chegou, as praias estão cheias e as casas de verão voltam a ser palco de longos almoços, fins de tarde estendidos e refeições mais informais. Nesse cenário, o vinho precisa cumprir outro papel. Menos peso, mais frescor, boa acidez e facilidade de serviço passam a ser decisivos.
No verão, o vinho deixa de ser apenas escolha técnica e passa a ser solução prática para acompanhar o clima, a comida e o ritmo dos dias.
Os espumantes ocupam lugar central nessa estação. A combinação de acidez elevada, sensação refrescante e, em muitos casos, menor teor alcoólico faz com que sejam extremamente versáteis no calor.
Versões mais leves, com perfil direto e fruta limpa, funcionam bem como aperitivo e também à mesa. São vinhos que suportam bem o gelo no balde, acompanham frutos-do-mar, saladas e pratos simples e mantêm o frescor do primeiro ao último gole, mesmo sob sol e altas temperaturas.
Entre os vinhos brancos, o verão pede estilos marcados pela tensão e pela clareza aromática. Regiões de influência marítima ou clima mais fresco entregam exatamente esse perfil. Vinhos Verdes, do norte de Portugal, são exemplos clássicos de leveza e acidez vibrante, muitas vezes com teor alcoólico mais baixo. Na Espanha, a região de Rías Baixas se consolidou como referência em brancos salinos, gastronômicos e refrescantes, ideais para o calor e para a cozinha de praia.
Na França, Chablis segue como um dos grandes brancos de verão. Produzido com Chardonnay, mas sem peso ou excesso de madeira, entrega mineralidade, acidez cortante e precisão. Já no sul da Itália, o Fiano di Avellino mostra outra face dos brancos mediterrâneos, com mais textura, mas ainda assim equilibrados, frescos e muito adequados à mesa, inclusive com pratos um pouco mais estruturados.
Os rosés completam o trio essencial do verão. Leves, secos e fáceis de beber, unem refrescância e versatilidade gastronômica. A Provence segue como principal referência mundial, com vinhos de cor clara, aromas delicados e final seco. São rosés pensados para o consumo despreocupado, que funcionam tanto em momentos informais quanto em refeições completas, sempre com foco em equilíbrio e fluidez.
Mais do que seguir rótulos da moda, escolher vinhos de verão é entender contexto. Acidez, frescor e precisão importam mais do que potência ou concentração. Vinhos muito alcoólicos ou excessivamente marcados pela madeira tendem a cansar no calor, enquanto estilos mais leves se mostram mais adaptáveis ao longo do dia.
O serviço também faz diferença. No verão, servir o vinho na temperatura correta é fundamental. Espumantes e brancos devem estar bem frescos, e rosés ganham muito quando servidos mais gelados. Um vinho bem escolhido, bem servido e adequado ao momento transforma a experiência, mesmo nos cenários mais simples.
Para encerrar, reúno uma lista com 9 vinhos degustados na praia ao longo deste verão. Rótulos provados em situações reais de calor, com comida simples e serviço informal. Vinhos que funcionaram bem gelados, mantiveram frescor ao longo da garrafa e entregaram equilíbrio e prazer do primeiro ao último gole.