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São Paulo terá maior evento de cães do mundo com 300 diferentes raças

World Dog Show reunirá 5 mil pets de 50 países, além de trazer apresentações de agility, adestramento e dancing dog

Terrier Brasileiro, também conhecido como Fox Paulistinha, é uma das raças nacionais (Edmilson Reis/CBKC/Divulgação)

Terrier Brasileiro, também conhecido como Fox Paulistinha, é uma das raças nacionais (Edmilson Reis/CBKC/Divulgação)

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Gabriel Aguiar

28 de outubro de 2022, 08h30

O World Dog Show, considerado maior e mais importante eventos de cães do mundo, volta ao Brasil após 18 anos da última edição. Desta vez, a cidade de São Paulo será anfitriã – em 1972 e 2004, foi o Rio de Janeiro – para mais de 5 mil animais de 300 diferentes raças e 50 países diferentes. E a ideia é receber até 12 mil visitantes por dia, entre 8 e 11 de dezembro, no Expo Center Norte.

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Não bastassem as demonstrações de agility, adestramento e dancing dog, a programação terá show de conformação (espécie de desfile de beleza para cães), práticas de esporte e disputa de tosa. Todo julgamento ficará sob responsabilidade dos mais de 100 juízes, segundo a Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC), entidade que representa a Fédération Cynologique Internationale (FCI).

Essa edição do World Dog Show também comemora os 100 de criação de cães no país, com direito à exposição de raças nacionais, como o recém-reconhecido Pastor-da-Mantiqueira – que entra na lista das raças originais. Também haverá exposição de outros cães, como Fila Brasileiro, Terrier Brasileiro, Rastreador Brasileiro, Buldogue Campeiro, Ovelheiro Gaúcho e Veadeiro Pampeano.

Veja a entrevista com Fábio Amorim, presidente da Confederação Brasileira de Cinofilia

Fábio Amorim, presidente da CBKC: "Criação de cães é mais que um mercado"

Fábio Amorim, presidente da CBKC: "Criação de cães é mais que um mercado" (André Nery/CBKC/Divulgação)

Como vê o mercado nacional atualmente?

“A criação de cães é mais que um mercado. Reunimos um pool importante de profissionais e aficionados por várias áreas de conhecimento, que vão da criação à administração, passando por veterinários, groomers, adestradores e apresentadores que buscam fortalecer pilares como bem-estar animal, esporte e preservar o patrimônio genético e histórico por trás de cada raça.

Cada uma delas têm consigo características únicas que revelam sua origem, função, habilidades e registram no seu DNA a história da sua ligação com o homem.

Se analisarmos o mercado Pet, podemos falar do quão grande é esse compromisso em prover bem-estar. Os valores expressivos do segmento, que vão desde acessórios, alimentação a cuidados com estética e saúde, refletem o amor do brasileiro por cães”.

 Críticas à comercialização de cães de raça são um desafio? E o que tem sido feito para contornar?

“A comercialização de cães possui muita legitimidade. Os criadores fazem um trabalho muito importante para nossa sociedade, em todos os sentidos. Buscamos constantemente prover informações corretas sobre o nosso setor e atividade. Estamos do mesmo lado, sempre promovendo, difundindo e exigindo o bem-estar animal. Nós amamos todos os animais, especialmente os cães”.

Qual é o maior foco do evento: criadores ou apaixonados por cães?

“O World Dog Show é um evento de celebração e reconhecimento tanto aos criadores quanto aos apaixonados por cães. Reuniremos em São Paulo, pessoas comprometidas com os cães e que buscam ter seus resultados em prol da preservação das raças caninas reconhecidas. Esses animais serão avaliados pela sua estrutura e conformação sempre, com o foco no bem-estar e saúde.

Receberemos também proprietários, amantes de cães e pessoas comuns que conseguirão conhecer um pouco mais do nosso universo, ver raças distintas, ter contato com as culturas que envolvem cada uma delas e todos os avanços que a parceria entre homens e animais pode realizar”.

Quanto dinheiro o World Dog Show deverá movimentar?

“Embora o World Dog Show seja um evento que não visa lucro, é inegável que ele mexe com a economia local e com o setor. É uma grande vitrine, para criadores de cães, e também para empresas que dão suporte à criação, apresentarem seus produtos de alta qualidade. Nas pistas, temos os cães, em performances de beleza e estrutura, adestramento, esportes caninos e grooming.

O evento deve movimentar algo em torno de 10 milhões de reais. Vale destacar que já temos 4 mil cães inscritos, de 200 raças e vindos de 50 países. Então, o turismo, a rede hoteleira, o setor de alimentação e afins são fundamentais para acolher todo esse público e se beneficiam economicamente do evento em São Paulo, principalmente”

Existe algum critério de quais criadores podem participar? Como evitar aqueles que promovem práticas ruins?

“Podem participar de uma exposição cinófila apenas cães que tenham pedigrees emitidos pela CBKC, que é a entidade mater da cinofilia brasileira. Cães, cujo pedigree provenham de países membros da Federação Cinológica Internacional (FCI) também podem participar da festa. Os criadores que participarão de nossa Exposição Mundial precisam inscrever seus cães dentro dos prazos regulamentados e apresentar diversos documentos comprovando a saúde e bem-estar do animal. O principal pilar de uma criação é a responsabilidade com o bem-estar animal.

A CBKC mantém um rigoroso olhar sobre isso e orienta a partir da troca de conhecimentos contínua, em programas de formação e edição de materiais informativos. Com os Kennel Clubes espalhados por todo o país, a CBKC orienta e dá suporte através de departamentos de raça e Conselhos Cinotécnicos. Temos também um Conselho Disciplinar que recebe, apura e, se necessário, determina sanções rígidas àqueles que eventualmente descumpram essa premissa essencial”.

Há alguma iniciativa social da Confederação?

“O trabalho de responsabilidade da CBKC atua em diferentes frentes, mantemos, por exemplo, parcerias com canis de batalhões das diferentes forças policiais e bombeiros para formação de cães de trabalho.

Além disso, temos projetos que promovem a interação entre cães e humanos por meio da cinoterapia como, por exemplo, o centro que atende crianças portadoras de autismo, coordenado pelo Kennel Clube de Pernambuco, e ainda por lá, a Escola de Formação de Cães-Guia de Cego, que atua desde 2013 e entrega os animais aptos à sociedade de forma gratuita.

E ainda é importante destacar que muitos canis têm ações sociais independentes, voltadas a atender às necessidades da região onde estão instalados”.

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