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Roger Federer enfrenta seu inferno astral no Aberto da Austrália

Depois de Greta, é a vez dos tenistas criticarem o suposto descaso do atleta suíço com o clima. Nas quadras, o desafio é por resultados

Roger Federer: tenista foi chamado atenção mais uma vez por sua suposta falta de compromisso com os problemas ambientais (Tony O'Brien/Reuters)

Roger Federer: tenista foi chamado atenção mais uma vez por sua suposta falta de compromisso com os problemas ambientais (Tony O'Brien/Reuters)

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Da Redação

20 de janeiro de 2020, 07h39

Roger Federer só faz aniversário no dia 8 de agosto, mas seu inferno astral parece ter começado. Nos dias anteriores ao início do Aberto da Austrália, que acontece nesta segunda-feira 20, o atual número 3 do mundo recebeu críticas dos tenistas com menor pontuação no ranking. O motivo, mais uma vez, é sua suposta falta de compromisso com os problemas ambientais.

Os tenistas que não têm pontos suficientes para entrar na chave principal do Australia Open precisam disputar um torneio de qualificação antes, o chamado qualifying. Os jogos foram disputados na semana passada. O problema é que o ar de Melbourne, onde o campeonato é disputado, está contaminado pela fumaça dos incêndios que se espalham pelo país desde novembro.

A organização do torneio foi criticada por ter permitido que os tenistas disputassem os jogos nessas condições – e os jogadores, por sua vez, direcionaram essa insatisfação aos primeiros colocados do ranking. “Essa reclamação tem de vir do topo”, disse o canadense Brayden Schnur, 103º colocado no ranking. “Federer e Nadal são um pouco egoístas por pensarem só neles mesmos e em suas carreiras. Eles estão próximos do fim, pensam no próprio legado e não no esporte em si.”

A favor de Federer, é preciso ressaltar que o suíço e outros tenistas bem ranqueados fizeram jogos amistosos ao longo da semana passada, com a receita destinada ao combate aos incêndios. No total, foram arrecadados cerca de 5 milhões de dólares. As queimadas já atingiram mais de 10 milhões de hectares e mataram ao menos 25 pessoas, além de milhares de animais.

Dias antes da polêmica com os tenistas, Federer havia sido criticado por Greta Thunberg devido ao seu contrato de patrocínio com o Credit Suisse. A jovem ativista ambiental acusa o banco de conceder empréstimos para indústrias que utilizam combustíveis fósseis. A queixa de Greta surtiu resultado. Em um comunicado, Federer declarou: “Agradeço a lembrança da minha responsabilidade como cidadão privado, como atleta e como empreendedor, e estou comprometido a usar minha posição privilegiada para dialogar sobre assuntos importantes com meus patrocinadores.”

Após as críticas, o Credit Suisse ressaltou seu comprometimento em apoiar seus clientes na transição para modelos de negócios de baixo carbono. Também se comprometeu a deixar de investir em novas usinas alimentadas por carvão.

Para Federer, o Aberto da Austrália começa também com pressão por resultados. O suíço é o campeão em títulos de Grand Slam, o circuito dos quatro principais torneios do ano, com 20 conquistas. Atrás dele estão o espanhol Rafael Nadal, atual número um do mundo, com 19 troféus, e o sérvio Novak Djokovic, com 16. No ano passado, Federer não venceu nenhum Grand Slam. Já Nadal, vencedor de dois torneios de Grand Slam em 2019, chega embalado.

O Aberto da Austrália também tem início com duas baixas: do britânico Andy Murray, ex-número 1 do mundo e cinco vezes finalista do torneio, e do japonês Kei Nishikori, ambos com lesões.

É um começo pouco promissor para este que é considerado o menos glamouroso dos quatro torneios do Grand Slam. Roland Garros tem um charme próprio. Disputado no saibro, o mais elegante dos pisos, é tão tradicional para os parisienses quanto a baguete. Wimbledon exibe toda a formalidade britânica. É o torneio em que os jogadores vestem branco nas quadras e os torcedores saboreiam morango com creme nos intervalos.

O Aberto dos Estados Unidos é o mais festivo, em que o espectador tem chances reais de esbarrar com seu ator de Hollywood favorito entre uma partida e outra. Já a Austrália é longe. E muito, muito quente nessa época do ano, a ponto de algumas partidas serem disputadas em quadras cobertas e mudanças de calendários estarem sempre em discussão. De qualquer forma, é o início da temporada, em que os melhores querem marcar posição. Para Federer, ao menos uma boa notícia: o suíço estreou com vitória nesta segunda-feira 20 (madrugada no horário de Brasília), triunfando sobre o americano Steve Johnson. Emoção não vai faltar.