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Jensen Huang: Nvidia pode quebrar antiga regra de Wall Street (Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 16h59.
Uma teoria de mercado pode ser desacreditada por conta da Nvidia nos próximos anos, apontam investidores em Wall Street. Boa parte das casas de análise e bancos enxergam que a empresa liderada por Jensen Huang pode ser o ponto fora da curva da regra de que tecnologias de rápida evolução perdem valor rapidamente.
A ação da companhia subiu cerca de 1.200% nos últimos cinco anos, o que a fez se tornar a companhia mais valiosa do mundo. Nesta quinta-feira, 13, a Nvidia estava avaliada em US$ 5,47 trilhões — à frente da Apple, a segunda mais valiosa, na casa dos US$ 4,43 trilhões.
Bolha da IA? Entenda a rede de dívidas e investimentos que move as Big TechsChips de inteligência artificial (IA) costumam seguir a mesma lógica de qualquer equipamento de tecnologia: ficam obsoletos assim que uma geração mais potente chega. É essa premissa que Wall Street está, agora, disposta a questionar — tratando o hardware da Nvidia não como um bem que se deprecia, mas como ativo financeiro durável, no mesmo patamar de um imóvel comercial, ou uma rodovia com pedágio.
Na segunda-feira, 10, a Nvidia anunciou memorandos de entendimento com seis gestoras — Apollo, Blackstone, BlackRock, Brookfield, Goldman Sachs e KKR — para estruturar plataformas de financiamento que tratam capacidade computacional como classe de ativo, algo emprestável e refinanciável.
O pacote soma US$ 500 bilhões e chega poucas semanas depois de uma correção nos mercados globais, em julho, que levou investidores a questionar se os bilhões investidos em infraestrutura de IA vão gerar retorno.
Só no ano fiscal de 2026, a receita da Nvidia somou US$ 215,94 bilhões, alta de 65%. A empresa projeta US$ 1 trilhão em pedidos já confirmados até 2027 — quase cinco vezes a receita mais recente.
A demanda vem de um punhado de clientes, como Microsoft, Meta, Amazon e Google, que devem gastar mais de US$ 300 bilhões em infraestrutura de data center só em 2026.
A empresa também deixou de ser só fornecedora. Já ultrapassou US$ 40 bilhões em participações acionárias neste ano, com pelo menos sete investimentos bilionários em companhias abertas — em vários casos, nas próprias empresas que compram seus chips, chegando a alugar de volta a capacidade computacional a esses clientes.
Críticos comparam a prática ao financiamento a fornecedores que ajudou a inflar a bolha das pontocom.
Na teleconferência de resultados de maio, Huang argumentou que o chip, sozinho, já não é o ativo mais importante da empresa — o valor estaria migrando para o CUDA, ecossistema de software que cria custo de troca para quem constrói sobre a tecnologia da Nvidia.
É esse fosso que sustenta a tese de que a empresa foge à regra geral do setor.
Mas os riscos são reais: concorrência de chips personalizados desenvolvidos por Alphabet, OpenAI e Amazon já corrói parte da demanda, e toda a avaliação da empresa parte da premissa de execução impecável — algo que poucas empresas de tecnologia sustentam por muito tempo.