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Resort de esqui austríaco mostra alta propagação de Covid-19

Estação pode ter a maior taxa de infecção pelo novo coronavírus do mundo: 42% dos residentes mostraram sinais de anticorpos

Estação de esqui é chamada de Ibiza dos Alpes (Felix Hörhager/Getty Images)

Estação de esqui é chamada de Ibiza dos Alpes (Felix Hörhager/Getty Images)

Guilherme Dearo

Guilherme Dearo

Publicado em 26 de junho de 2020 às 10h21.

Última atualização em 26 de junho de 2020 às 13h06.

A estação de esqui austríaca de Ischgl, um dos primeiros epicentros do coronavírus na Europa, pode ter a maior taxa de infecção por Covid do mundo: 42% dos residentes mostraram sinais de anticorpos em um estudo.

A taxa de prevalência é a mais alta registrada na literatura científica até agora, disse Dorothee van Laer, virologista da Universidade de Medicina de Innsbruck, que liderou o estudo, citando pesquisas locais em Groeden, na Suíça, com 27%, e em Genebra, com 10%. Outros lugares podem ter taxas mais altas, mas nenhum foi observado sob condições científicas, disse em conferência de imprensa online.

A doença provavelmente começou a se espalhar entre moradores no resort, chamado de Ibiza dos Alpes por sua atmosfera de festa, e também entre visitantes da Alemanha, Noruega, Islândia e de outros países semanas antes dos primeiros testes positivos serem registrados em março, segundo a cientista.

“O vírus circulou sob a tela do radar já na segunda quinzena de fevereiro, de acordo com todas as nossas pesquisas”, disse von Laer. Sua equipe de pesquisadores planeja ajudar a vila testando turistas que chegam na próxima temporada, disse.

Gestores de turismo e saúde de Ischgl e da província do Tirol estão sendo investigados por não fechar bares e hotéis antes de meados de março, o que pode ter ajudado a propagar milhares de casos pelo mundo.

Os pesquisadores coletaram amostras de sangue de 1.473 pessoas, ou quase 80% dos residentes de Ischgl, durante uma semana que terminou em 27 de abril. O número de pessoas que testaram positivo para os anticorpos, que surgem após a infecção, era seis vezes maior do que aqueles que tinham oficialmente testado positivo para o vírus.

Os sintomas mais comuns registrados pelos pacientes incluíram perda do paladar e olfato, febre e tosse. Apenas nove adultos de toda a amostra receberam tratamento hospitalar.

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