Prowine: sustentabilidade é o tema central do evento

O evento tem neste ano 450 expositores, de 19 países, que juntos representam mais de 800 marcas de vinhos e destilados
 (Tim Martin/Getty Images)
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Julia StorchPublicado em 28/09/2022 às 17:53.

Até amanhã (29) na capital paulista acontece um dos maiores eventos do mercado de vinhos, a Prowine, que tem como primeira novidade a mudança de endereço, que agora segue para a Expo Center Norte.

O evento tem neste ano 450 expositores, de 19 países, que juntos representam mais de 800 marcas de vinhos e destilados. E, quando falam desses números, um parênteses de faz necessário para contextualizar alguns cenários.

A sustentabilidade, tema central do evento, que começou a ser discutida pela questão ‘embalagem’, em um painel de Felipe Antunes, que faz parte do comitê dedicado à tal área, na ABRABE - Associação Brasileira de Bebidas.

O especialista apresentou recentes cases realizados pela entidade, como o Glass is Good, voltado para o vidro, já que o material representa 70% das embalagens utilizadas entre os associados da organização. A iniciativa englobou 900 cooperados e recuperou 109 mil toneladas de vidro, o que gerou a economia de 52 mil MWh de energia e a não emissão de 50 mil toneladas de CO2 na atmosfera. Automaticamente, cerca de 131 mil toneladas de matéria-prima deixaram de ser retiradas da natureza.

Nas entrelinhas, o especialista também mostrou que o projeto em questão, que vai reciclar todas as garrafas consumidas no evento, envolve outras esferas igualmente importantes hoje tais como diversidade nas equipes e presença feminina no mercado de trabalho. O relatório completo, que inclui diversos programas realizados pela organização, está disponível no site oficial da entidade.

A problemática seguiu com uma mesa redonda, mediada por Christian Burgos, diretor da Inner Group - que publica, entre outros títulos, a Revista Adega e um dos idealizadores da ProWine São Paulo. “Trouxemos três cenários, que acontecem em esferas diferentes, para mostrar o quão vasta é a questão da sustentabilidade e como ela permeia por todas as áreas de um negócio”, pontua Burgos.

Representando o Brasil, a Salton elencou pontos trabalhados pela empresa familiar, que seguem o Pacto Global da ONU e incluem a diminuição de agroquímicos, catalogação do solo, manejo sustentável, preservação de biomas, inventário de emissão de gases, entre outros. Já a Emiliana, do Chile, maior vinícola orgânica e biodinâmica do mundo, vai além e diz que é preciso ir além de práticas para a terra, incentivando uma visão 360ºC, o que inclui pensar no bem-estar das pessoas, da comunidade, do entorno.

Já a espanhola Familia Torres, que soma mais de 150 anos de história e tem operações em diversas regiões do mundo, diz que a temática é uma premissa interna desde 2008. De lá para cá, muitas esferas do negócio já foram alteradas, tais como reutilização de todos os compostos do vinhedo, bem como redução do peso da garrafa e consequente diminuição do uso de vinhos.

E, até os veículos de transporte, sejam os carrinhos que circulam na propriedade sejam os carros dos funcionários do departamento comercial, são todos elétricos e, inclusive, já há um protótipo de um trator sendo desenvolvido em parceria com uma universidade espanhola.

Cristiane Foja, também da ABRABE, subiu ao palco para tratar de mais uma questão complicada desse universo: o comércio ilegal de vinhos.

“Só na última operação foram capturadas 255.858 garrafas de bebidas. Desse montante, quase 94 mil foram no Rio Grande do Sul e mais de 27 mil em Santa Catarina, o que ajuda a presumir que devem se tratar de vinhos, levando em consideração a tradição de tais Estados como regiões produtoras de destaque”, explica ela, que ocupa o posto de presidente-executiva da organização.

“Nosso trabalho atua em várias frentes e envolve entidades como Ministério da Justiça e Polícia Federal, inteligência de dados para combater fraudes digitais e chega no pilar de conscientização e educação junto ao comerciante e ao consumidor final”, complementa Foja.

Números, agora positivos, marcaram a apresentação de Felipe Galtaroça, da Ideal Consulting, que mostrou o mapa do consumo do vinho no Brasil, no último ano. O cenário é promissor em toda a esfera da bebida, que chegou agora ao índice de 2,64 litros per capita, com expectativa de 3,3 litros per capita, para daqui a cinco anos.

Vale lembrar que em 2019, o volume tinha acabado de bater 2 litros e na pandemia, seguindo a ‘bolha’ dos índices recordes que a fase ímpar no mundo bateu, o índice foi de 2,78 litros, por pessoa. Esmiuçando como cada estilo se comportou, o espumante nacional figurou com papel de destaque, tendo um crescimento de 15% em plena pandemia e aumento de 31% agora no pós-pandemia. Para concluir, mais um dado para festejar: de cada 10 espumantes consumidos no país, 9 são produzidos no Brasil”, declara Galtaroça.

O primeiro dia, que reuniu 3 mil visitantes, ainda incluiu painéis sobre o futuro do vinho sul-americano, explanações sobre vinícolas boutique e, claro, uma série de degustações.

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